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Quem é Bruno Pereira, indigenista da Funai desaparecido na Amazônia

Profundo conhecedor da Amazônia, indigenista de carreira e protagonista de divergência com indígenas da etnia Matis. Desaparecido desde quando se dirigia à cidade de Atalaia do Norte (AM), Bruno Pereira é um servidor de destaque na Fundação Nacional do Índio (Funai), onde está, segundo seu próprio perfil no LinkedIn, desde outubro de 2010 – há quase 12 anos. 

Desde então, Bruno chegou a ser coordenador da sede da Funai em Atalaia do Norte. Ele deixou o cargo após entrar em conflito com indígenas da etnia Matis em janeiro de 2016. À época, os Matis pediam mais segurança em suas aldeias, após duas mortes provocadas por integrantes de outras etnias. Pereira chegou a ser rendido pelos manifestantes armados com arcos e flechas.

Dois anos depois, Bruno Pereira tornou-se coordenador-geral de Índios Isolados e de Recém Contatados da Funai. Em março de 2019, o indigenista liderou uma expedição de contato com os Korubo do Coari, grupo em total isolamento na Terra Indígena (TI) Vale do Javari, situada quase na fronteira entre Brasil e Peru, no Amazonas.

O objetivo da expedição era evitar conflitos entre os isolados e os Matis, os mesmos que protestaram contra Bruno Pereira em janeiro de 2016. 

Pessoas próximas ao indigenista afirmam que ele tinha profundo conhecimento da região onde desapareceu. “Bruno Pereira conhece o Vale do Javari como a palma da mão, e por isso recomendo calma. Já precisei falar com ele em uma das incursões por lá e ele só teve sinal dias depois. Ameaçado ele já é há muitos anos e sempre soube se cuidar”, escreveu o correspondente da Associated Press no Brasil, Mauricio Savarese.

O colunista do BuzzFeed Brasil, Muka do Space, deu detalhes sobre a vida de Bruno no Twitter. “É marido da sobrinha de uma amiga querida. Pai de duas crianças lindas”, escreveu na rede social.

Entenda o caso

Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips chegaram nessa sexta-feira (3) no Lago do Jaburu, nas proximidades do rio Ituí, para que o profissional da imprensa visitasse o local e fizesse entrevistas com indígenas. 

Segundo a União das Organizações Indígenas do Vale do Javari (Univaja), ontem os dois deveriam retornar para a cidade de Atalaia do Norte por volta de 9h, após parada na comunidade São Rafael, para que o indigenista fizesse uma reunião com uma pessoa da comunidade apelidado de Churrasco. 

No início da tarde, uma primeira equipe de busca da Unijava saiu de Atalaia do Norte em busca dos desaparecidos, mas não os encontrou.

“A última informação de avistamento deles é da comunidade São Gabriel – que fica abaixo da São Rafael – com relatos de que avistaram o barco passando em direção a Atalaia do Norte. Às 16h, outra equipe de busca saiu de Tabatinga, em uma embarcação maior, retornando ao mesmo local, mas novamente nenhum vestígio foi localizado”, diz a nota.

A Polícia Federal (PF) informou, nesta segunda-feira (6), que já está acompanhando e trabalhando no caso. “As diligências estão sendo empreendidas e serão divulgadas oportunamente”, diz nota da instituição.

Já a Funai informou que acompanha o caso, está em contato com as forças de segurança que atuam na região e colabora com as buscas. Em nota, a instituição comentou que, embora o indigenista Bruno da Cunha Araújo Pereira integre o quadro de servidores da Funai, ele não estava na região em missão institucional, pois se encontrava de licença para tratar de interesses particulares.

A Marinha do Brasil disse que tomou conhecimento, no fim da manhã desta segunda, do desaparecimento de uma embarcação de pequeno porte, em Atalaia do Norte (AM), próximo à comunidade São Rafael. 

Segundo o órgão, uma equipe de Busca e Salvamento (SAR), subordinada à Capitania Fluvial de Tabatinga, foi direcionada ao local da ocorrência.

Com informações da Agência Brasil

Fonte: O tempo

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