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Rondônia, sábado, 16 de maio de 2026.


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Uso incorreto de medicamentos faz crescer casos de intoxicação e preocupa especialistas

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A intoxicação medicamentosa segue entre os principais desafios de saúde pública no Brasil e acende um alerta para os riscos do uso incorreto de remédios. O Ministério da Saúde reforçou recentemente a preocupação com a automedicação e com o consumo inadequado de medicamentos, situações que podem provocar reações adversas, agravamento de doenças, interações perigosas, internações e até mortes.

Dados do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox-ES) mostram que os medicamentos lideram os registros de intoxicação atendidos pelos serviços especializados. Somente em 2025, já foram contabilizados mais de oito mil casos de exposições e intoxicações relacionadas a remédios.

Entre os grupos mais vulneráveis estão crianças e idosos. No caso das crianças, os episódios geralmente acontecem por ingestão acidental dentro de casa. Já entre os idosos, os riscos costumam estar ligados ao uso simultâneo de vários medicamentos e à ausência de acompanhamento contínuo.

O geriatra Dr. Roni Mukamal, superintendente de Medicina Preventiva da MedSênior, explica que o envelhecimento modifica a forma como o organismo reage aos medicamentos.

“O envelhecimento altera a forma como o organismo processa os medicamentos, tornando os pacientes mais suscetíveis a reações adversas. Com o avanço da idade, funções como a renal e a hepática tendem a diminuir, o que interfere diretamente na metabolização dos medicamentos e aumenta o risco de efeitos colaterais”, afirma.

Segundo o especialista, a atenção deve ser redobrada especialmente entre idosos que convivem com doenças crônicas e fazem uso frequente de múltiplas medicações.

“Muitos idosos convivem com doenças crônicas e acabam utilizando diversas medicações simultaneamente. Isso aumenta o risco de interações medicamentosas, tonturas, quedas e até internações”, alerta.

Além do uso simultâneo de medicamentos, a automedicação também preocupa especialistas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que os remédios sejam utilizados na dose correta, pelo período adequado e sempre com orientação profissional.

Para o farmacêutico Thiago de Melo, a prática ainda é tratada de forma banalizada por grande parte da população brasileira.

“Muitas pessoas enxergam o medicamento como uma solução rápida e simples, sem considerar possíveis interações, efeitos colaterais ou até o risco de mascarar sintomas de doenças mais graves”, explica.

O especialista também chama atenção para combinações perigosas entre medicamentos, bebidas alcoólicas, suplementos e determinados alimentos, que podem alterar a eficácia dos tratamentos ou potencializar efeitos adversos.

“Há substâncias que podem perder eficácia dependendo da forma como são ingeridas. Em alguns casos, alimentos e bebidas interferem diretamente na absorção do medicamento ou podem potencializar alguns efeitos adversos”, destaca.

Outro problema recorrente, segundo Thiago, é a chamada “cascata de prescrição”, quando um efeito colateral provocado por um medicamento é confundido com uma nova doença, levando à indicação de novos remédios desnecessariamente.

“Um erro inicial pode desencadear uma sequência de prescrições desnecessárias e aumentar ainda mais os riscos ao paciente”, afirma.

Especialistas reforçam que a orientação médica e farmacêutica continua sendo fundamental para evitar intoxicações, garantir a eficácia dos tratamentos e reduzir riscos à saúde.

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