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Rondônia, sábado, 01 de agosto de 2026.


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Bolívia avança em projeto de corredor rodoviário que liga país a Mato Grosso e pode transformar Rondônia em eixo estratégico da logística sul-americana

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A Bolívia deu um passo para a criação de um novo corredor rodoviário que pretende integrar ainda mais o agronegócio entre países da América do Sul. O presidente boliviano, Rodrigo Paz, assinou nesta sexta-feira (31) um termo de cooperação para a construção de uma estrada que vai ligar a cidade de San Ignacio de Velasco, na Bolívia, a Vila Bela da Santíssima Trindade, em Mato Grosso.

O trecho previsto para a ligação tem 129 quilômetros de extensão. Do lado brasileiro, as obras já estão em andamento.

Quando os dois lados estiverem concluídos, a rodovia deve permitir que a Bolívia tenha um acesso mais rápido ao oceano Atlântico, por meio de Porto Velho. Ao mesmo tempo, o Brasil ganha uma nova rota para chegar ao oceano Pacífico, passando pelo território boliviano.

A assinatura do acordo ocorreu durante as comemorações dos 278 anos de San Ignacio de Velasco, cidade boliviana que faz fronteira com Mato Grosso e recebeu autoridades, empresários e representantes do agronegócio dos dois países.

O projeto também prevê a instalação de um posto aduaneiro alfandegado, com o objetivo de fortalecer as relações comerciais entre Brasil e Bolívia e contribuir para o desenvolvimento da região.

Caminho usado por produtores e caminhoneiros

O motorista Jair Barros dos Santos percorre a rota a trabalho há quase 15 anos. Ele conta que já enfrentou dificuldades na estrada de terra, principalmente no período de chuvas.

“Essa estrada aqui já foi muito difícil, né? Já teve atoleiro, já foi interditada no tempo das águas. Então hoje, com essa realidade que nós estamos vendo aqui, tá um sonho que eu achei que não ia participar desse sonho, mas estamos aqui presenciando esse momento especial aqui.”

O empresário Iraí Maggi destacou que a nova ligação pode beneficiar tanto brasileiros quanto bolivianos, reduzindo custos de transporte.

“Nós vamos ajudar eles e eles vão ajudar nós. Então aqui nós temos produção altíssima de soja, uma região, o que é que tá faltando? Aqueles gastam 5 dólares a mais para colocar uma saca de soja dentro do navio, 3.500 km indo lá para Argentina. Aqui, Porto Velho tá tudo pronto, tem bilhões e bilhões de investido e tá aqui pertinho, então tem que conectar o Brasil.”

Embora o traçado principal esteja concentrado em Mato Grosso, especialistas apontam que Rondônia poderá ser um dos estados mais beneficiados. A posição geográfica estratégica do estado, especialmente por meio de Porto Velho e de Guajará-Mirim, amplia as possibilidades de conexão com os portos do Arco Norte e com futuras rotas internacionais. Durante as discussões sobre o projeto, o próprio Ministério da Agricultura destacou a importância da ponte em Guajará-Mirim como um dos eixos de integração entre Brasil e Bolívia, reforçando o papel de Rondônia na logística regional.

Na prática, a nova estrutura tende a reduzir custos de transporte, facilitar o comércio bilateral e criar alternativas para o escoamento da produção agropecuária do Norte e Centro-Oeste. Além disso, a ampliação das conexões internacionais pode estimular investimentos em infraestrutura, armazenagem, transporte e serviços logísticos em Rondônia, fortalecendo a competitividade do agronegócio e da indústria regional. A iniciativa também abre caminho para ampliar o acesso de produtos brasileiros aos mercados asiáticos pelos portos do Pacífico, ao mesmo tempo em que facilita a chegada de insumos, como fertilizantes produzidos na Bolívia.

A nova estrada que vai conectar a Bolívia com o Mato Grosso. — Foto: Reprodução/Jornal Nacional

Segundo Pedro Lacerda, presidente da Comissão de Integração Brasil-Bolívia, a pavimentação e a instalação da aduana devem ampliar a conexão com portos do oceano Pacífico.

“Essa pavimentação, como também a instalação da aduana, ela vai nos permitir virarmos de frente e nos integrarmos não só à Bolívia, como também ao porto de Arica, Iquique, no oceano Pacífico. Essa região aqui pelo porto de Arica são quase 2 mil km a menos do que os outros corredores existentes.”
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