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Passageiros reclamam de atendimento da Itapemirim e dificuldade para reembolso

Para quem tinha viagens programadas com a Itapemirim Transportes Aéreos (ITA),  a suspensão das operações da empresa, anunciada na semana passada, tem representado inúmeros problemas e a preocupação quanto ao reembolso dos valores pagos na compra de passagens. Além da imposição de nova programação para os passeios de final de ano, os canais de atendimento disponibilizados pela companhia para registro de pedidos de realocação de voos ou devolução de dinheiro não funcionam. 

De acordo com o site Reclame Aqui, que registra queixas de consumidores, a média de reclamações contra a Itapemirim, em dezembro, subiu de 64 por dia para 152 registros a cada 24h, entre sexta-feira (17) e domingo (19). Ao longo do mês já são 1.484 problemas relatados. A Secretaria Nacional do Consumidor monitora o caso, assim como a Câmara do Consumidor e Ordem Econômica do Ministério Público Federal (MPF), junto à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) que já suspendeu o Certificado de Operador Aéreo (COA) da companhia e determinou medidas para realocação e reembolso dos passageiros. 

A Itapemirim começou a operar viagens aéreas no Brasil em junho de 2021 e, desde então, inúmeros problemas foram registrados no pagamento de salários dos funcionários e demais direitos trabalhistas. As operações de viagens da empresa também apresentavam problemas, conforme Bruno Lima, gerente de uma loja da CVC Turismo em Belo Horizonte.

O administrador destaca que a empresa era contratada por muitos passageiros por oferecer passagens em valores até 60% mais baixos que outras companhias aéreas. “É uma empresa que nunca funcionou direito. Aqui na empresa, mesmo, a gente nunca oferece a Itapemirim porque era vender problema”, pondera. 

Com a suspensão das atividades ele conta que a agência de turismo teve dificuldades de contato com a companhia aérea nos canais de atendimento disponibilizados. Para minimizar o problema, os passageiros foram realocados em voos já contratados. A dificuldade em estabelecer uma comunicação com a Itapemirim também é um problema enfrentado pela bióloga Marina Faillace. Ela embarcaria de Salvador para Guarulhos (SP) com o noivo, nesta terã-feira (20), para passar o Natal com a família.

Esta seria a última comemoração junto aos parentes antes de embarcar rumo a Portugal, onde ela vai morar. “Meu irmão faz tratamento de saúde, passou por transplanate de medula óssea e não pode viajar, ter contato com outras pessoas. Eu e meu noivo fizemos quarentena, meu noivo é autônomo, deixou de trabalhar por mais d euma semana por conta da viagem, deixou de ganhar dinheiro e não adiantou de nada porque não vamos viajar”, lamentou. 

Ela também reclama que em nenhum momento foi procurada pela empresa. “Fiquei sabendo pelos jornais porque a Itapemirim não mandou e-mail, mensagem, nenhum comunicado. Tentei entrar em contato pelo 0800 e passei quatro horas no telefone e ninguém me atendeu”, reclama. No chat online, foram mais de oito horas à espera de atendimento. Quando conseguiu ser atendida recebeu a informação de que só receberia cerca de R$ 35, referente a custos com taxas de embarque.

No entanto, o valor gasto com passagens superou R$ 2,4 mil. “Nosso voo de ida já havia tido um problema, pagamos mais caro por viagem direta e enfiaram uma escala no meio. Já estou em contato com advogados para entrar com processo, mas sem muita expectativa”, lamentou. 

OTEMPO procurou a Itapemirim para comentar sobre a suspensão e dificuldades de atendimento aos clientes e sobre o futuro do setor de transporte terrestre da empresa, mas nenhum posicionamento foi enviado. A ANAC também foi procurada, mas não respondeu às perguntas.  

Direito do consumidor em xeque

Advogado especialista em direito do consumidor, Marcus Mattos diz que a empresa deve seguir as obrigações determinadas pela ANAC, sob pena de sofrer sanções disciplinares como a aplicação de multas. “A atitude da empresa foi um total desrespeito ao consumidor. A companhia não decide suspender as atividades da noite para o dia. Isso é analisado ao longo dos meses”, opinou. 

O advogado ainda destacou que os consumidores enfrentarão muitos problemas em adquirir novas passagens, até mesmo pagando em outras companhias, pelo excesso de demanda no final de ano. “Por se tratar de uma situação muito específica acredito que dificilmente os consumidores terão direitos respeitados.”, acrescentou. 

O temor é o mesmo do profissional autônomo Gilliard Abreu, que teve o reembolso negado pela Itapemirim. “Me disseram que a minha passagem não permite o reembolso integral, só da taxa de embarque”, disse. Abreu iria para São Paulo, no dia 30 de dezembro, para o Réveillon e precisou comprar outro ticket. “Eu não consigo atendimento, ontem fiquei 2 horas e 42 minutos tentando falar com eles e quando atendeu derrubaram a ligação”, criticou. 

Trabalhadores da Itapemirim devem enfrentar problemas 

Mais de 300 funcionários da Itapemirim que atuavam diretamente nas viagens devem enfrentar dificuldades nos próximos meses, de acordo com o diretor do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Henrique Hacklaender. Isto porque a Itapemirim ainda não procurou os funcionários para falar sobre os contratos de trabalho ativos, após a suspensão das atividades. 

Na sexta-feira, quando houve o anúncio da paralisação, a entidade precisou atuar para resgatar os tripulantes que estavam em viagens, e que tiveram os voos de retorno cancelados. “A empresa precisa honrar com os contratos, mas não me parece que será vantajoso para a empresa pagar o trabalhador para ficar paralisado. A empresa em nenhum momento nos procurou para solucionar o problema de forma tranquila”, relatou.

Viagens em aberto

Nesta segunda-feira (20), a BHAirpot, que administra o Aeroporto de Confins, na Grande BH, informou que a suspensão de voos da Itapemirim no terminal está prevista somente até terça-feira (21). A empresa ainda não recebeu nenhum comunicado sobre as viagens que seguem agendadas a partir de quarta-feira (22). 

“Aguardamos novas atualizações por parte da empresa aérea nesta segunda-feira”, disse a BHAirport, que também informou que os cancelamentos estão sendo feitos em um intervalo de 72h. 

*Com Estadão Conteúdo e FolhaPress

Fonte: O tempo

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