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No vaivém de Bolsonaro, só o Centrão ganha

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Estranha-se muito o comportamento ora autoritário, ora conciliador do presidente Jair Bolsonaro. No último domingo, o político apoiou um ato contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. “Não vamos negociar nada!”, gritou o presidente.

Os participantes também louvaram o AI-5, que, nunca é demais lembrar, afirmava em sua ementa que: “São mantidas a Constituição de 24 de janeiro de 1967 e as Constituições Estaduais; O Presidente da República poderá decretar a intervenção nos estados e municípios, sem as limitações previstas na Constituição, suspender os direitos políticos de quaisquer cidadãos pelo prazo de 10 anos e cassar mandatos eletivos federais, estaduais e municipais, e dá outras providências”.

No dia seguinte, Bolsonaro aliviou. Disse que quer o Legislativo e o STF abertos. Sua participação no ato teria ocorrido, segundo ele, por causa do Dia do Exército. Correm notícias de que ele estaria disposto a entregar cargos de confiança relevantes para os Progressistas (antigo PP), o Partido Liberal (o velho PL/PR) e o PSD. Difícil imaginar que Bolsonaro queira, agora, formar uma coalizão. Mas nada é impossível. Há muitos cargos atraentes no governo federal.

A novidade de hoje é a possível volta do Ministério do Trabalho (que virou secretaria no Ministério da Economia em 2019), que seria novamente comandado pelo PTB de Roberto Jefferson. Não há espaço neste texto para descrever todos os esquemas do partido no comando do ministério.

No Twitter, o comunicador Allan dos Santos, porta-voz do bolsonarismo, tem focado seus petardos em João Doria. Aproveitou, também, para republicar um texto do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, resenhando um livro de Slavoj Žižek para justificar o apelido de “comunavírus” à praga.

Quando Allan começar a criticar a distribuição de cargos para o Centrão, será um sinal amarelo para Bolsonaro.

(Este artigo expressa a opinião do autor, não representando necessariamente a opinião institucional da FGV.)

Fonte: Exame

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