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Não vale a pena comprar ações da Berkshire Hathaway, diz Capital Research

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Em junho de 1996, o megainvestidor Warren Buffett lançou um livreto em que discorre os propósitos econômicos da empresa fundada por ele, a Berkshire Hathaway. Entre os pontos elencados, Buffett destaca que a performance das ações deve superar o desempenho do índice S&P 500 “caso contrário, por que os investidores precisariam de nós”, escreveu na época. O problema é que o retorno dos papéis é inferior ao do indicador em diversos momentos.

“Quando olhamos para a rentabilidade histórica, a partir de janelas de dez anos acumulados de retorno — um prazo que consideramos longo suficiente para dirimir impactos de curto prazo, mas não tão longo a ponto de pesarem retornos muito antigos —, é possível perceber que a maior parte do ganho de rentabilidade da Berkshire Hathaway em relação ao S&P 500 aconteceu só até a década de 1990. Nos últimos anos, a performance da empresa se aproximou do S&P 500, inclusive ficando um pouco inferior na década 2009-2019”, revela Samuel Torres, analista-chefe da Capital Research, em relatório a clientes.

A conclusão da casa de análise é que não vale a pena comprar os papéis da Berkshire Hathaway (BRK.B). “Buffett declarou que quando falecer, suas atribuições serão divididas em duas. Uma pessoa será o CEO e ficará responsável pela parte operacional das empresas do grupo, enquanto as decisões de investimento serão tomadas por um ou mais executivos. Apesar disso, determinadas transações serão submetidas à aprovação do conselho de administração e, por mais que, provavelmente, os cargos sejam ocupados por profissionais muito competentes, para aqueles que acreditam que a performance da Berkshire se deveu à genialidade de Buffett, esse certamente é um risco para a tese de investimento na BRK.B no médio prazo”, afirma Torres.

Por isso, o especialista diz que é preferível ter exposição ao mercado de ações americano por meio do fundo de índice IVVB11 daqui em diante.

É bom lembrar que quem detém posição desde 1965 conseguiu um retorno formidável. Quem investiu 1 dólar na Berkshire e 1 dólar no S&P 500 no início de 1965 teria, ao final de 2019, 27.373 dólares e 196 dólares, respectivamente.

Parte da explicação para essa diferença exorbitante é o uso da alavancagem das seguradoras do grupo. Isso porque as seguradoras recebem antecipadamente de seus clientes os prêmios de seguro, antes de pagar eventuais sinistros. Nesse meio tempo, com certas restrições regulatórias, as seguradoras podem investir esses valores.

Além disso, a Capital Research ressalta que, em menor grau, a companhia utiliza, dentro do permitido pela Receita Federal americana, a depreciação acelerada de suas propriedades e equipamentos, o que possibilita postergar o pagamento de impostos, sem incorrer em pagamento de juros.

 

Fonte: Exame

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