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Homenagem a petista assassinado em Foz cita crime político

Com críticas à postura do presidente Jair Bolsonaro (PL) e pedidos de paz e justiça, um ato em Foz do Iguaçu (PR) homenageou neste domingo (17) o guarda municipal e militante petista Marcelo Arruda. Ele foi morto há uma semana pelo policial penal bolsonarista Jorge Guaranho.

A ação reuniu lideranças políticas, representantes de entidades, religiosos, amigos e familiares de Arruda.

Em discurso durante a homenagem, a presidente do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann, prestou solidariedade à família do militante e disse que a morte não foi um “caso isolado”.
Na visão de Gleisi, o incentivo à onda de violência política no Brasil carrega “o nome de Jair Bolsonaro”. Nesse sentido, ela lembrou a declaração de Bolsonaro em 2018 sobre “fuzilar a petralhada”.
“Deu uma voz de comando”, afirmou a deputada, usando uma camisa com o rosto de Arruda.
“Muitos questionaram se esse seria um ato partidário ou eleitoral. Não é partidário. Não é eleitoral. Mas é um ato político, no sentido de enfrentar uma situação que estamos vivendo no país, que não é de normalidade”, afirmou Gleisi na parte inicial do discurso.
“Não podemos deixar normalizar crimes e assassinatos como esse [de Arruda], sob pena de transformarmos um processo político e eleitoral em um banho de sangue da população brasileira. Isso não pode acontecer”, completou.
Arruda foi morto no dia 9, enquanto comemorava o seu aniversário em uma festa decorada com a temática do PT. Guaranho foi até o local, houve troca de tiros, e o militante petista não resistiu aos ferimentos.
A Polícia Civil do Paraná, porém, indicou que o crime teve motivo torpe. Ou seja, tecnicamente, não será enquadrado como crime de ódio, político ou contra o Estado democrático de Direito, por falta de elementos para isso.
A polícia paranaense admitiu que tudo começou com uma provocação do bolsonarista seguida de discussão por questões políticas e ideológicas. Mas argumenta que, para enquadrá-lo como um crime político, seriam necessários requisitos para isso, como o de tentar impedir ou dificultar outra pessoa de exercer direitos políticos.
“A Polícia Civil se nega a dizer que foi uma situação de intolerância política. Tenta transformar numa situação de briga comum, como narrativa dos fatos”, discursou no ato deste domingo Ian Vargas, advogado da família de Arruda. O advogado disse que segue acompanhando as investigações.
‘Foi um ato político’, diz irmão
Luiz Donizete Arruda, irmão de Marcelo, também afirmou que o crime foi “um ato político”. Ele até sinalizou divergências em relação às preferências políticas do irmão, mas fez elogios ao seu caráter e a sua postura em vida. Luiz Donizete ainda pediu paz às vésperas das eleições.
“Não é porque ele [Marcelo] tinha um lado político de repente diferente do meu que o amor de família, o amor de cidadão, o amor dos brasileiros, tem de ser diferente. A gente tem de condenar qualquer ato que seja de ignorância”, afirmou.
“A situação do meu irmão foi infelizmente um ato político. Aquele camarada [Guaranho] chegou lá e só teve aquela reação maldita porque viu um movimento diferente do dele. Qual é o problema de o Marcelo ter um movimento diferente de qualquer outra pessoa?”, questionou.
Bolsonaro ligou na última semana para irmãos do militante petista. A situação irritou a viúva e outros familiares que avaliam que está sendo feito uso político da situação.
Emocionada, a viúva de Marcelo Arruda, Pâmela Silva, disse no ato deste domingo que o companheiro foi alvo de extrema violência na semana passada.
“Por favor, vamos parar com isso. Não desejo a ninguém essa dor que estamos sentindo”, afirmou. “Só peço justiça pelo nome do Marcelo”, acrescentou.
Também presente na homenagem em Foz do Iguaçu, o ex-senador Roberto Requião (PT-PR), pré-candidato ao governo estadual do Paraná, afirmou que Arruda “foi vítima da intolerância e de um crime evidentemente político”. Requião criticou Bolsonaro.
“O fato ocorrido aqui foi inspirado no comportamento irracional e intolerável do presidente da República, que estimula violência e influencia de forma clara uma minoria de pessoas”, disse.
Requião ainda fez críticas ao “capital financeiro” e aos “poderosos”. Ele afirmou que “o voto é a arma do soldado cidadão”.
Escalada de tensão às vésperas das eleições Gleisi chamou atenção para outros episódios recentes de tensão. Entre eles, a confusão ocorrida no sábado (16) em uma caminhada no Rio de Janeiro com a participação do deputado federal Marcelo Freixo (PSB-RJ).
Freixo é pré-candidato ao governo fluminense e apoia o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), rival de Bolsonaro na corrida pelo Palácio do Planalto.
Aliados de Freixo dizem ter sido encurralados em uma praça no sábado por um grupo liderado pelo deputado estadual bolsonarista Rodrigo Amorim (PTB-RJ).
Houve relatos de empurrões e xingamentos durante a agenda. Apoiadores de Freixo também disseram que homens armados estavam na praça e que bandeiras foram rasgadas pelo grupo bolsonarista.
Amorim rebateu as acusações. Disse que não houve violência física e que ouviu insultos contra sua família e a de Bolsonaro. O caso foi encaminhado para investigação policial no Rio.

Fonte: O tempo

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