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ESG: Chega de teoria, está na hora da prática

Por Adriano Meirinho*

O termo ESG (Environmental, Social and Governance), ou ASG (Ambiental, Social e Governança) em português, vem dominando as relações empresariais e comerciais, e o assunto ganha cada vez mais destaque na sociedade.

Para se ter uma ideia, as buscas feitas por brasileiros no Google pelo termo ESG cresceram mais de 150% no comparativo entre 2021 e 2020. Isso mostra que o tema tem impactado ainda mais a população, levando as empresas a implementarem ações que mostrem seu comprometimento com a causa. Mas será que isso está mesmo acontecendo? Ou ainda estamos trabalhando o discurso interno para poder chegar à prática do que realmente é o ESG?

Os dados são controversos. Segundo o estudo “Sustentabilidade na Agenda dos Líderes Latino-Americanos”, realizado pela SAP com 400 executivos da Argentina, Brasil, Colômbia e México, o número de empresas que dizem ter uma estratégia de sustentabilidade já soma 69%, ante 46% em 2021. No Brasil, das empresas ouvidas, 68% afirmam já ter estratégias de sustentabilidade implementadas.

Já um levantamento feito pela BR Rating em parceria com a Grant Thornton, com 328 empresas de capital aberto, mostra que apenas 48% divulgam relatório de sustentabilidade, e das que divulgam, somente 8% contam com auditoria externa e independente nos relatórios.

Os números mostram que o assunto está, sim, em ampla discussão, porém, ainda é impossível dizer o que está sendo realmente feito. Ou como está sendo feito. E para que as ações que envolvam questões ambientais, sociais e de governança deixem de ser um projeto e passem a ser efetivamente executadas é preciso que aconteça o envolvimento de todos, a começar pelas lideranças, pelos grandes executivos.

Isso porque a mudança parte de uma transformação na cultura organizacional, e uma companhia não muda sua forma de agir e de pensar se os líderes, em todos os níveis hierárquicos, não estiverem comprometidos com isso.

Um segundo fator de grande peso nessa transformação, e que muitas vezes se torna um entrave, é que existe um custo indireto muito alto no processo. É necessário mobilizar e destacar pessoas, e serão horas de trabalho investidas para criar posicionamento, mudar ou criar processos, criar normas internas (até antes inexistentes), ajustes em código de ética, adequar produtos para terem impacto social e até contratar consultorias que ajudem no processo.

É um posicionamento que mexe estruturalmente com todas as áreas e, quanto maior a empresa, a tendência é que esse processo de mudança seja mais árduo. Tanto que grande parte das companhias certificadas como Empresa B, ou seja, que concilia propósito e lucro e pondera o impacto do negócio nos trabalhadores, clientes, fornecedores, comunidade e meio ambiente, são menores, ou são empresas estreantes e já nascem com essa cultura.

Implementar um projeto de ESG na empresa envolve vários atores, internos e externos, e precisa ter um posicionamento de cima para baixo, o famoso Top Down (do bem). É preciso querer fazer algo diferente e gerar impacto social. Afinal, ESG não pode ser só discurso. ESG precisa ser praticado.

*Adriano Meirinho, é CMO e co-fundador da Celcoin

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Fonte: Exame

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