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ERT planeja captar R$ 75 mi para fábrica de plástico que vira adubo

O plástico de origem vegetal e biodegradável não é mais um sonho. Ele não apenas existe como há planos ambiciosos de seus fabricantes para o Brasil. A Earth Renewable Technologies (ERT), uma companhia americana que nasceu em 2009 a partir de pesquisas na Clemsom University, da Carolina do Sul (EUA), produz atualmente 2 mil toneladas de seu bioplástico no Paraná, mas tem planos de elevar a produção local a 35 mil toneladas até 2025.

Para tanto, terá de investir cerca de R$ 250 milhões. À frente do negócio, há dois brasileiros: Kim Gurtensten Fabri, presidente da empresa, e Emanuel Martins, diretor operacional. Eles foram para a Carolina do Sul após uma rodada de captação que atraiu dois family offices brasileiros.

“Chegamos lá e tivemos de colocar tudo para rodar, porque a empresa foi criada por acadêmicos, professores, que só veem graça em descobrir as coisas. Não se preocupavam em vender”, relembra Martins, de forma divertida. Mas, depois de tudo nos eixos, as vendas começaram em 2018, a partir da unidade americana, que produz cerca de 2,5 milhões de toneladas.

A ERT colocou os pés em solo brasileiro em 2020, atraída pela demanda de companhias que ouviram um chamado para aceleradamente adequarem sua cadeia produtiva aos melhores padrões ESG — de sustentabilidade, sociais e de governança. Com produto testado e pronto, o que eles mais querem agora é vender. E muito. Para isso, contrataram a XP Investimentos como assessor financeiro. Estão em busca de uma rodada de R$ 75 milhões que possa permitir os investimentos que os levem até uma oferta pública inicial (IPO).

A ideia é alcançarem uma receita da ordem de R$ 900 milhões até 2025, quando atingirem a capacidade almejada. Mas há passos intermediários até lá. Hoje, a receita está em quase R$ 30 milhões. É um salto e tanto!

Vem da cana

O bioplástico da ERT é feito da cana-de-açúcar. O uso da commodity com essa finalidade não é novidade. O grande diferencial da empresa, porém, é o resultado final. No lugar de um polímero tradicional, a ERT faz um biopolímero que, além de desempenhar como plástico em termos de qualidade, pode ser descartado com o lixo orgânico, ou seja, ser compostado em um processo de três a seis meses e virar adubo. A Braskem oferece o que chama de plástico verde, também feito da cana-de-açúcar. Contudo, no caso da petroquímica, o processamento leva até um plástico que também se degrada como os demais, ou seja, precisa de centenas de anos.

O entendimento de Martins é que dentro de um intervalo maior do que cinco anos pelo menos 20% do mercado será abastecido com biopolímeros, o que daria a ERT uma demanda consumidora de até 100 mil toneladas anuais. A companhia é dedicada à substituição de plásticos de uso único, embalagens, talheres, pratos, copos, canudos. Não entra no segmento de garrafas PET (porque a reciclagem já é alta e aumenta a passos largos) nem no de materiais para engenharia.

O presidente explica que a empresa visa justamente mostrar aos clientes as vantagens de substituir o chamado plástico verde pelo biopolímero, que pode ser compostado. “É muito difícil competir com o plástico, em termos de custo, mas em relação ao produto feito da cana somos bastante competitivos”, completa Martins. Em coro, a dupla defende a percepção da ERT de que o ganho de escala é importante porque a sustentabilidade não deveria ter custo extra, deveria ser igualmente competitiva.

Fases

Quando alcançar as 35 mil toneladas de capacidade no Paraná, a ERT planeja partir para adotar como matéria-prima o bagaço da cana-de-açúcar. “Teremos, então, o bioplástico de segunda geração”, afirma Martins. Atualmente, com capacidade de 2 mil toneladas, a produção local é feita com matéria-prima importada. O biopolímero já vem processado da Tailândia, para ser finalizado pela ERT.

A expectativa da companhia com a captação de recursos junto a fundos de investimento, programada para ocorrer antes de uma listagem em bolsa, é levar a capacidade produtiva a 15 mil toneladas ao ano – o que traria uma receita estimada entre R$ 250 milhões e R$ 300 milhões ao ano. Com esse porte, a matéria-prima deixa de vir lá do outro lado do mundo e passa a ser o açúcar adquirido ali mesmo nas usinas paranaenses. “Vamos nos verticalizar na produção e processar aqui mesmo o biopolímero”, explica Gurtensten Fabri. E, então, mais alguns anos depois, vamos adotar o bagaço da cana.

Cliente? Sim, a companhia já tem um comprador importante e outros virão. A partir de outubro, cerca de 30% das embalagens da Pura Vida, companhia de produtos naturais que vão de suplementos alimentares, passando por snacks e temperos e chegando em cosméticos, serão feitas com bioplástico. Mas a ERT quer mais. Bem mais.

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Fonte: Exame

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