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Chegou a nossa vez

Por: Frederico Pompeu

Esse fim de semana, tendo já tomado a vacina e respeitando todos os devidos protocolos, eu levei minha filha ao circo. E a experiência foi simplesmente incrível. Além de ter me lembrado bastante da minha infância, foi maravilhoso ver o seu nervosismo ao ver as trapezistas voando de um lado pro outro ou mesmo a sua aflição, quando os motoqueiros aceleravam forte dentro do “Globo da Morte”.

Mas, apesar das travessuras dos palhaços e da habilidade dos malabaristas, nada a deixou tão vidrada como a entrada do Olaf, o boneco de neve da Frozen, dentro do picadeiro. Não, não foi o salto mortal triplo da trapezista ou mesmo a habilidade da artista de equilibrar 25 bambolês sem deixar cair que a fizeram levantar da cadeira e ir para beira do palco, mas sim alguém, com uma fantasia bem mais ou menos, que fez os seus lindos olhinhos azuis brilharem sem piscar.

A América Latina vive hoje, talvez, o seu melhor momento para o empreendedorismo. E o Brasil, especificamente, é a nação mais digital desse grande continente, o que torna a oportunidade por aqui ainda mais atraente.

Seguem alguns exemplos que corroboram esta afirmativa: os brasileiros  estão sempre posicionados entre os maiores usuários das principais redes sociais do mundo (#2 no Whatsapp, no Twitch e no Youtube, #3 no Instagram e por aí vai), níveis extremamente altos de dispositivos móveis conectados à internet (mais de 137 milhões de usuários de celular, com mais de 3 bilhões de downloads de aplicativos) e um Governo com uma agenda construtiva em relação às iniciativas digitais (lançamento do PIX, Open Banking, autorização para telemedicina, etc).

E a pandemia acelerou ainda mais a digitalização de diversos processos, bem como aumentou muito a demanda por produtos e serviços relacionados à tecnologia. Por isso, quando você pensa num país com mais de 200 milhões de pessoas, com PIB de mais de USD 2,1 trilhões (o 8º maior do mundo) e grandes ineficiências em logística, saúde, educação e serviços financeiros, apenas para citar apenas algumas áreas, passamos a entender porque cada vez mais investidores tem mirado seus canhões para cá.

Na semana passada, por exemplo, o Doug Leone e a Sonya Huang da Sequoia Capital, um dos fundos de Venture Capital mais notáveis ​​do Vale do Silício, divulgaram uma carta ao mercado intitulada “A oportunidade nas startups latino-americanas”. Neste artigo que sacudiu o universo tech brasileiro e que, literalmente, foi repostado em todos os meus grupos de investidores e empreendedores, eles começam contando a história de como o David Vélez os convenceu a investir no Nubank há mais de 10 anos atrás e como eles veem o amadurecimento do ecossistema local.

Terminam afirmando que passarão a visitar a região com bastante frequência para conhecer novos empreendedores e suas soluções, apesar de ainda não estarem numa posição de abrir um escritório por aqui.

Foi na semana passada também, que o Softbank, grupo japonês liderado pelo Masayoshi Son (segundo homem mais rico do Japão), anunciou que iria dobrar a sua aposta, chegando a um total de mais de USD 10 bilhões de recursos dedicados para região. Eles lançaram seu primeiro fundo dedicado para América Latina em 2019, e já anunciaram mais de 30 investimentos por aqui, nos mais diversos setores.

Do Inter a MadeiraMadeira, da Dotz a Gympass, eles vêm reforçando o time com gente bastante sênior e dedicando cada vez mais capital para analisarem os novos investimentos. Agora, além dos investimentos privados, passarão a ampliar o seu escopo de atuação para empresas listadas na B3 também.

Por falar em B3, as coisas por lá também andam agitadas. Desde o ano passado passamos a ter uma série de IPOs (Ofertas Públicas Iniciais de Ações) de empresas de tecnologia na nossa bolsa, seguindo uma tendência que já é realidade há algum tempo em países mais desenvolvidos. Locaweb, Méliuz, Mosaico, Enjoei, GetNinjas, a lista é grande e crescente, num mercado onde as empresas de tecnologia, que abriram capital de 2020 para cá, já levantaram mais de R$ 8 bilhões com seus IPOs. Importante mencionar que algumas dessas empresas dão prejuízo desde seu lançamento, uma quebra de paradigma relevante para Bolsa brasileira.

Com esse excesso de liquidez, com os melhores investidores do mundo olhando para América Latina, seja no âmbito privado ou na Bolsa, a pergunta que não quer calar é o que você, empreendedor, vai fazer para que eles também levantem de suas cadeiras? Como fazer os olhinhos deles brilharem também? A resposta é simples.

Você não precisa fazer nenhuma pirueta, nenhum malabarismo, nenhuma mágica. Ao olhar a carinha da minha filha eu finalmente entendi a resposta: tudo que você precisa é encantar o seu cliente.

Fonte: Exame

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