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Brasil figura entre os países menos competitivos do mundo para atrair negócios

O Brasil figura entre os piores países do mundo quando o assunto é competitividade e atração de novos investimentos, aponta um levantamento divulgado, nesta terça-feira (14), pela Fundação Dom Cabral. O ‘Anuário de Competitividade’ foi feito em parceria com o IMD Competitiveness Center e coloca o país na 59ª colocação, em um ranking composto por 63 países. 

Atrás do Brasil, estão apenas África do Sul, Mongólia, Argentina e Venezuela. Quando se olha as nações à frente na lista aparecem Botswana, na costa marítima da África, e que tem pouco mais de 2,3 milhões de habitantes, número inferior à população de Belo Horizonte.

De acordo com a Fundação Dom Cabral, o trabalho levou em consideração o desempenho econômico, eficiência do governo e dos negócios e aspectos de infraestrutura. Se comparada à última edição do anuário, publicada em 2021, o Brasil regrediu duas posições.

“Não é uma posição boa para estar e mostrar que o Brasil tem uma grave perspectiva de futuro. Estamos vendo o país manter posições de baixa competitividade há algum tempo”, explica Carlos Arruda, professor Associado da Fundação Dom Cabral. 

O docente explica que para elaborar o ranking foram avaliadas questões ambientais, capacidades de produção das empresas que atuam no Brasil em comparação com companhias instaladas em outros países. A qualidade da mão de obra brasileira também foi analisada, para verificar se há compatibilidade com as necessidades econômicas.

De acordo com Carlos Arruda, alguns problemas que rebaixam o Brasil no cenário mundial são legislação e sistema tributário ultrapassados. O especialista ainda citou entraves na digitalização de serviços públicos e investimentos em infraestrutura. “O Brasil está parado no tempo e precisa simplificar mais seus procedimentos para tornar o país um local mais fácil para se fazer negócios e promover desenvolvimento da sociedade como um todo”, afirmou.

Arruda lembra que o país hoje enfrenta deficiência de mão de obra qualificada para o digital. “Como empresário, se quero crescer digitalmente, não vou encontrar mão de obra qualificada e vou ter que investir”, diz. Os principais pontos positivos da economia brasileira apontados na pesquisa, que é feita junto à comunidade empresarial, são o dinamismo da economia, a abertura e atitudes positivas e ambiente favorável ao negócio.

Mas, entre os 15 indicadores apresentados, os menos escolhidos foram: competência do governo, nível educacional e ambiente jurídico eficaz. Como retrato da pesquisa, o país já observa o encerramento de atividades comerciais de algumas empresas. A montadora Ford deixou o Brasil em 2021, mesmo caminho seguido pela Sony e Mercedes-Benz, esta última manteve apenas produção de veículos de carga no país. 

Infraestrutura 

Conforme a pesquisa, os problemas de acesso à água a toda população, dificuldade observada principalmente no semiárido brasileiro, é outro fator negativo para o país. Os pesquisadores afirmam que a abundância de água observada em território brasileiro evidencia uma distribuição ineficiente de bens e serviços que afetam as atividades no país.  “O exemplo da água evidencia contradições e deixa claro que não basta a abundância em valores absolutos, se não há as condições necessárias para sua distribuição”, diz trecho da pesquisa. 

Ranking 

No Anuário, os 10 primeiros países são Dinamarca, Suíça, Singapura, Suécia, Hong Kong, Holanda, Taiwan, Finlândia, Noruega e Estados Unidos. A China, segunda maior economia mundial, ocupa a 17ª colocação. 

Fonte: O tempo

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