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Associação da PF pede autonomia financeira e mandato para diretor-geral

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A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) encaminhou neste domingo (26) uma carta pública ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), em que solicita autonomia financeira para a PF e o estabelecimento de um mandato para o diretor-geral da instituição.
 
No documento, a entidade também pleiteia que  Bolsonaro firme um compromisso público dizendo que o novo diretor-geral terá “total autonomia” para formar equipe, sem obrigações de repassar informações ao governo federal e abrir ou intervir em investigações conforme interesses políticos.
 
De acordo com a entidade, a adoção das medidas contribuirá para a “dissipação de dúvidas” sobre as intenções de Bolsonaro em relação à Polícia Federal.
 
Ingerências sobre o comando da PF motivaram o pedido de demissão do ex-ministro da Justiça Sergio Moro, na sexta (24). O ex-juiz declarou que o presidente Jair Bolsonaro tentava interferir politicamente na PF, órgão ligado ao Ministério da Justiça.
 
Confira trechos da carta:
 
“Embora seja absolutamente verdadeira a premissa de que a legislação reservou ao Presidente da República a nomeação do Diretor-Geral da Polícia Federal, trata-se de um pilar do Estado Democrático de Direito que o estadista se limite a escolher o comandante da instituição, sempre buscando o delegado mais preparado técnica, moral e psicologicamente para a função.”
“Sobre a investigação relacionada ao atentado [facada] contra vossa excelência. O inquérito recebeu total atenção da PF, e seguiu em caráter prioritário em razão de ser um crime contra a segurança nacional e a própria democracia. A comparação em relação a outros crimes [caso Marielle Franco] é injusta com o órgão, pois cada investigação tem as suas características e dificuldades concretas e próprias.”
“O contexto criado pela exoneração do comando da PF e pelo pedido de demissão do Ministro Sérgio Moro imporá ao próximo Diretor um desafio enorme: demonstrar que não foi nomeado para cumprir missão política dentro do órgão. Assim, existe o risco de enfrentar uma instabilidade constante em sua gestão. O último comandante da PF que assumiu o órgão em contexto semelhante teve um período de gestão muito curto.”

Fonte: O tempo