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A Riachuelo anuncia a parceria da próxima live: Luan Santana

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Entre as estrelas de primeira grandeza do mundo sertanejo, só faltava ele. Luan Santana já havia anunciado que faria uma live, o formato de entretenimento do momento, com cerca de 60 músicas de toda sua discografia, em seu canal no Youtube. Será no próximo domingo, dia 26 de abril, às 18h. A Riachuelo agora confirma à EXAME que será parceira no evento virtual.

A live de Luan Santana pode bater a de outra sertaneja, Marília Mendonça, que alcançou 3,2 milhões de fãs em três horas de duração – outra apresentação que teve apoio da Riachuelo. Com a quarentena devido à propagação do coronavírus, músicos de todos os gêneros têm se rendido às apresentações virtuais. No último sábado, 18, o evento “One World: Together At Home” arrecadou 127,9 milhões de dólares para o combate à pandemia.

A expectativa por Luan Santana se justifica. No ano passado, a música “Quando a Bad Bater” foi a mais tocada nas rádios em 24 horas. O recorde era de 1988, com Legião Urbana. Após a parceria nos shows online de Marília Mendonça e de Gusttavo Lima, que durou sete horas e meia, a Riachuelo afirma ter registrado mais de 50 mil downloads de seu aplicativo.

A empresa de varejo de moda também apoiará as lives de Simone & Simaria, no dia 24, e da Banda Melim, no dia 25. Nesse formato, a marca presenteia os cantores com roupas e máscaras para doação. Durante a live, são anunciados descontos para compras no site e no aplicativo da Riachuelo. “Fomos a primeira empresa do setor a usar as lives como forma de nos aproximarmos de nossos clientes. Os resultados foram interessantes”, disse Oswaldo Nunes, CEO da marca, em entrevista à EXAME de sua casa, por WhatsApp.

O retorno da parceria com as lives tem sido bom?

Sim, acima do que a gente estava esperando. Tivemos um aumento importante no nosso tráfego e também no número de downloads no aplicativo. Adotamos uma postura inovadora e fomos a primeira empresa do setor a usar as lives como forma de nos aproximarmos dos nossos clientes. Os resultados têm sido interessantes.

Esse é um formato que a Riachuelo deve manter após a quarentena?

É uma possibilidade, não descarto. Claro que precisamos esperar, mas uma cosia é certa, a gente vai sair dessa crise com novos paradigmas. Esse pode ser um deles. As lives são um meio de acessar a base de clientes. Se houver o engajamento das grandes companhias, pode ser um novo canal de comunicação.

A Riachuelo registrou um aumento de 124% no e-commerce e de 56% de tráfego no site, entre 4 e 12 de abril, em comparação ao mesmo período do ano passado. Como?

O que está acontecendo agora é uma aceleração de um movimento de transformação na maneira como os clientes consomem que já vem de algum tempo. As novas tecnologias, a conectividade e a boa experiência digital têm mudado o jeito do consumidor de se relacionar com as marcas. Investir na transformação digital não é uma opção, é uma necessidade. O que a gente está observando é que, desde que a crise começou e as autoridades começaram a solicitar que as pessoas fiquem em casa, mais consumidores estão se dando uma chance de comprar nos canais digitais. Estamos com o dobro do crescimento previsto. Após a crise esse comportamento deverá permanecer, mais gente vai ganhar confiança e segurança para resolver sua vida nos canais digitais.

Que itens estão vendendo mais?

As pessoas estão mais em casa e acabam prestando atenção em detalhes de funcionalidades que no dia a dia passam despercebidos. As categorias relacionadas a isso, os têxteis e não têxteis para o lar, têm apresentado uma performance relativa melhor. A categoria de moda casa é o que mais se destaca, como mantas, roupões, jogos de cama, banquetas. E mais recentemente os itens da categoria femininas, provavelmente porque as pessoas estão pensando na comemoração do Dia das Mães.

A data deve ser comemorada normalmente? Vocês esperam boas vendas?

As pessoas estão refletindo mais, descobrindo mais o outro, aprendendo a fortalecer as relações. É um momento de união, de resiliência, de crescimento, de evolução. Crise também traz oportunidades, para todos, como sociedade, para empresas.

No ano passado, a receita líquida do grupo atingiu 7,8 bilhões de reais, um crescimento de 8,6%, em relação ao ano anterior. Quanto o e-commerce representa desse total?

Nesse momento em que os principais players do varejo de moda estão buscando marcar posição nos canais digitais, ainda não estamos abrindo essa informação para o mercado. Mas o canal do e-commerce, desde o primeiro ano cheio de operação, em 2018, vem se mantendo como nossa maior loja em volume de vendas. No ano passado investimos 168 milhões de reais em todas as iniciativas envolvendo a digitalização da companhia e o fortalecimento dos canais digitais e integração com os meios físicos. São investimentos que seguem ao longo de 2020, em que pese a crise, que exige que a gente proteja a liquidez da companhia, na medida do possível. Após a crise certamente vamos notar uma continuidade do crescimento online, não sei se na mesma medida, mas certamente superior ao que havíamos projetado.

Loja da Riachuelo: pontos fisicos fechados enquanto durar a quarentenaRiachuelo/Divulgação

Qual era a meta de crescimento do grupo em 2020 e quanto deve ficar?

Olha, a verdade é que a gente está numa crise bem diferente das outras. Os cenários mudam o tempo todo e a gente precisa adaptar os nossos planos de ação, na medida em que vai ajustando soluções, olhando pra frente. Mas é difícil mensurar tudo, dadas as incertezas ao quando e como as atividades serão reiniciadas, e em que nível as curvas de demanda vão se manter, se voltarão ao nível pré-crise, se ficarão em um patamar abaixo. Sabemos que teremos algum nível de impacto, mas estamos nos concentrando para equilibrar o cenário atual, preservar a saúde do nosso negócio e olhar para tudo o que está acontecendo sob uma ótima otimista para tirar alguns aprendizados.

Como está sendo a contribuição da Riachuelo em doações?

Fomos a primeira empresa do setor a iniciar a produção de equipamentos de proteção individual. A gente olhou para dentro, viu o que era possível fazer bem feito, para o bem coletivo, e então direcionou nossa estrutura fabril para produzir mais de 708 mil itens hospitalares, para as redes públicas e comunidades vulneráveis. São máscaras de proteção, jalecos médicos, aventais para pacientes, e tudo isso sai das nossas unidades de corte para serem costuradas em pequenas oficinas que integram a nossa cadeira produtiva, em uma parceria com o Rio Grande do Norte para levar empregos para Seridó, uma comunidade carente. O objetivo das parcerias é fomentar a economia local por meio desses microempreendedores que dependem totalmente dessas pequenas produções para o desenvolvimento de seus negócios e o sustento de suas famílias, em um total de mais de 3 mil pessoas. Além disso a Riachuelo separou 220 mil peças de roupas para presentearmos mulheres na linha de frente do atendimento e do combate à covid-19 para o Dia das Mães. Essas duas iniciativas somam 1 milhão de peças, entre itens hospitalares e doação de peças de roupa, equivalendo a 15 milhões de reais em recursos próprios.

A produção de itens de vestuário está parada?

Sim, nossas 323 lojas físicas estão fechadas e nossas duas fábricas próprias estão 100% paradas. Só estamos trazendo um número mínimo de colaboradores para ativar nossas áreas de corte e poder assim apoiar nossas doações para a rede pública de saúde e para as comunidades. Uma área de corte é de capital intensivo, requer muito pouca mão de obra, é automatizada, mas mesmo essa produção está sendo supervisionada. Operamos com quadro reduzido de funcionários por turno, com o distanciamento social recomendado, de 1,5 a 2 metros por posto de trabalho, com higienização constante, mascaras de proteção.

Existe o risco de falta de estoque se a crise se estender?

Não. A crise começou no momento em que todo o varejo estava se estocando para uma nova estação, de outono-inverno, que começa na segunda quinzena de março e vai até agosto, setembro. Temos um estoque robusto para atender a essas demandas do e-commerce, essa não é a restrição. A dificuldade é operar com quadro mínimo nas atividades essenciais respeitando as recomendações das autoridades de saúde.

Como a Riachuelo vai ser lembrada quando essa crise terminar?

É uma crise sem precedentes, nós dessa geração nunca vivemos nada parecido. Nesse momento precisamos ter resiliência, manter a união dos times, exercer a responsabilidade social que as empresas têm, particularmente as grandes empresas, e agir com empatia. Isso acaba determinando a forma como nos comunicamos em um momento desafiador como esse, não só com nossos mais de 40 mil colaboradores, mas com a sociedade. Essa lembrança não é só consequência desse momento, mas daquilo que fazemos todos os dias. Eu acredito que no futuro as empresas não só serão mais digitais como terão mais propósito, serão mais sustentáveis. A sociedade está mais complexa e exige mais responsabilidade das empresas, procurando saber como constroem seus resultados.

O grupo precisou demitir ou reduzir salários?

Estamos concentrando todos os nossos esforços para a manutenção dos mais de 40 mil empregos na empresa. Somos uma das companhias que mais gera emprego e renda no país. Nesse momento crítico de saúde pública e econômica, a gente, assim como outras empresas do nosso segmento, aderiu à Medida Provisória 936, uma medida bem-vinda para aliviar o caixa das empresas nesse momento difícil. Estamos reduzindo no máximo 25% dos salários, nada acima. Quando você aplica a Medidas Provisória na grande base de colaboradores que nós temos, que ganham de 1,5 mil a 3 mil reais, a redução no final, com o acesso às parcelas de seguro desemprego, fica entre 5% e 10%. Nesse sentido nossa população de menor renda fica mais protegida.

Como está a sua rotina de trabalho em casa?

Depois de mais de 40 anos de trabalho, pela primeira nas últimas três ou quatro semanas eu tenho experimentado o teletrabalho, o home office, como se diz. Tudo tem funcionado bem, temos cumprido as metas e as entregas diariamente. Essa é uma mudança de comportamento que deve ganhar outra dimensão no pós-crise, certamente vai haver uma tendência de mais pessoas cumprirem suas obrigações nesse modo de home office, as tecnologias nesse sentido evoluíram bastante.

A Riachuelo deve adotar esse modelo?

Acredito que vamos evoluir nesse sentido, sim. Nada como a manifestação da realidade para trazer um melhor entendimento e a segurança de todos a um comportamento de trabalho que ainda não é dominante. Esse deve ser um dos aprendizados da crise.

Fonte: Exame