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Pulga atrás da orelha: minha experiência com o Vision Pro, da Apple


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Este texto é sobre a Apple, a empresa mais valiosa do planeta cotada em quase três trilhões de dólares. Trata-se de um número difícil de ser processado pela nossa mente. Para ajudar – ou atrapalhar – comparo com a soma de todas as empresas listadas na bolsa de valores brasileira. São elas Itaú, Bradesco, Petrobras, Vale, Weg, Ambev, Banco do Brasil e mais 370 companhias. Pois, acredite ou não, a Apple vale três vezes o valor de todas somadas.

A Apple, como todo mundo sabe, é fruto da genialidade de Steve Jobs. Na ocasião da sua morte, em 2011, multidões fizeram vigília em sua homenagem. Fãs no mundo inteiro saíram às ruas com a imagem de uma vela acesa nos seus iPads e Iphones. Jobs foi o primeiro, e talvez último, empresário a ser idolatrado tal qual um astro de rock ou um super atleta.

Jobs era visionário e, como tal, conseguia conceber idéias revolucionárias. E, ele convencia as pessoas a fazer coisas que elas mesmo achavam impossíveis. Esta era a sua grande habilidade.

Jobs tinha um foco incansável em fazer da tecnologia algo simples, fácil de usar e agradável. Além, é claro, da obsessão pela estética dos produtos e pela experiência do cliente. Ao contrário do que muitos apostavam, a morte de Jobs não arrefeceu o espírito de inovação da Apple, que continuou lançando produtos espetaculares e disruptivos.

Sou um cliente fiel. Tenho Iphone, IPad, IMac e AirPod. Sinceramente, nāo sei se hoje em dia eu sobreviveria sem os meus AirPods, mas isso é assunto para outro texto.

Recentemente, em Washington, resolvi entrar numa loja da Apple e experimentar o esquisitíssimo Vision Pro, o óculos de realidade virtual que está sendo vendido por 3.500 dólares (17.500 reais). Após agendar e aguardar por um bom tempo, fui atendido pelo vendedor Dante. O Vision Pro foi trazido por outro funcionário numa bandeja, como se fosse uma jóia, especialmente para ser testado por mim.

Dante começou a demonstração seguindo um roteiro organizado e elucidativo. Explicou que a experiência vai durar 30 minutos e que precisaria fazer uma leitura do graú dos meus óculos (uso graú 4,5). Isso para adaptar o Vision Pro à minha visão dispensando o uso dos meus óculos.

Naqueles 30 minutos viajei para as geleiras da Islândia, os fiords na Noruega, a costa da França, entre outros destinos. A definição da imagem e a visão de 360 graus sāo de tirar o fôlego. A sensação é de que estamos literalmente naquele local, dentro da paisagem.

As fotos humanizadas também sāo incríveis. Numa foto de um aniversário, me senti como se estivesse junto à mesa com os outros convidados. O bolo com as velinhas era tāo real que deu vontade de esticar o braço para
prová-lo.

Finalmente, ao terminar o “test drive” e retirar o Vision Pro, a impressão foi de que eu tinha acabado de retornar de uma viagem. Impressionante! Vivi a sensação quase plena de estar naqueles lugares todos. Porém, apesar de entusiasmado, não tive a coragem de investir 3.500 dólares naquele aparato.

Saí daquela loja fascinado e, ao mesmo tempo, preocupado. Onde vamos parar? Será que no futuro ainda faremos viagens de verdade? Visitaremos a casa dos nossos amigos? Ou será tudo virtual? Qual o limite da tecnologia?

É evidente que a experiência de uma viagem nāo se restringe apenas à visão e à audição, que é o que o Vision Pro oferece. E a sensação de pisar na grama? De colocar os pés na água? Ou de sentir o gosto de um saboroso prato típico? Será possível, no futuro, haver algo que também substitua o tato, a gustação e o olfato?

Já li sobre experiências com roupas táteis (que simulam as sensações físicas do tato) e até cheiros e fragrâncias sintéticos, mas sempre achei isso tudo uma enorme bobagem. Porém, depois desta minha inusitada e impressionante experiência com o Vision Pro, confesso que fiquei com a pulga atrás da orelha.

Fonte: Exame

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