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Polícia despeja centenas de famílias que ocupavam terreno da Petrobras no Rio

A Petrobras informou que foi cumprido nesta quinta-feira, o 1º mandado de reintegração de posse de um terreno da estatal em Itaguaí, onde seria construído um polo petroquímico, mas que não saiu do papel. A operação chegou a fechar a entrada do município, no início da manhã, e teve o apoio do Batalhão de Choque e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core).

A Polícia Militar enfrentou a resistência dos cerca de 400 moradores da ocupação e usou bombas de efeito moral para entrar no local, batizado de “Acampamento de Refugiados Primeiro de Maio”.

A ocupação nasceu como um protesto contra a falta de moradia, de comida e de vacina contra o covid-19, mas também contra a política de preços dos combustíveis adotada pela Petrobras, de paridade com preços de importação. Liderado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), o movimento teve o apoio da Federação Única dos Petroleiros (Fup).

De acordo com a Petrobras, para garantir o cumprimento da ordem judicial, a empresa forneceu álcool gel e máscara, além de transporte até três rodovias próximas ao município de Itaguaí para as pessoas expulsas do local. A empresa também informou que inda forneceu alimentação, colchonetes e cobertores para atender as pessoas que ficarão temporariamente em abrigos disponibilizados pela prefeitura.

“Hoje estou desempregada, sem casa, sem quarto. Tiraram tudo que era nosso”, lamentou à AFP Renata Carvalho, de 48 anos, que morava no terreno há quase dois meses.

Em meio a gritos e choro, algumas pessoas – inclusive mulheres carregando bebês – tentaram resgatar pertences, como colchões, cobertores e algumas roupas.

A pandemia do coronavírus, que já matou quase 520 mil pessoas no Brasil, empurrou milhares de brasileiros para a pobreza, refletida no aumento de assentamentos ilegais e em longas filas em pontos de entrega de alimentos em cidades como São Paulo e Rio, as mais atingidas pelo vírus.

A taxa de desemprego no Brasil manteve-se no nível recorde de 14,7% no período fevereiro-abril, o equivalente a 14,8 milhões de pessoas procurando trabalho, quase dois milhões a mais do que antes da pandemia, no início de 2020.

O governo de Jair Bolsonaro, que minimizou a pandemia, pagou de abril a dezembro de 2020 um subsídio a quase um terço da população do país de 212 milhões de habitantes. Em abril, a ajuda foi retomada, mas com um valor menor e para menos beneficiários.

 

Fonte: O tempo

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