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Pistoleiros invadem acampamento e atacam famílias no Pará, diz grupo ambiental

O grupo Not1More denunciou um ataque na quarta-feira (3) no Acampamento São Vinícius, em Nova Ipixuna (PA). Segundo a organização de proteção ambiental, 30 caminhões com pistoleiros vandalizaram a região e atacaram as famílias, incluindo crianças e idosos.

Além de atirar contra os residentes, os criminosos teriam ateado fogo nas tendas e casas que abrigam os cidadãos da área e destruído todos os itens pessoais deles. Segundo o Not1More, dúzias de pessoas foram torturadas, espancadas e amarradas. Confira o vídeo publicado pelo grupo:

Algumas foram arremessadas dos caminhões, o que as deixou gravemente feridas. Outras teriam conseguido fugir para a floresta perto do acampamento e sete escaparam imediatamente.

A CUT (Central Única dos Trabalhadores) estima que cerca de 80 famílias vivem de forma irregular na região. Informações do grupo ambiental apontam que os moradores alegaram ter uma garantia da polícia de Marabá de que não seriam efeito colateral da disputa de terra da Fazenda Tinelli.

A reportagem entrou em contato com a Segup (Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará) e aguarda resposta.
Em outubro, conforme reportado pelo G1, o MPF (Ministério Público Federal) enviou um pedido para o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) avaliar o que deveria ser feito com a área da Fazenda Tinelli.

Segundo o MPF, as terras pertencem à União e, em 2002, foi aberta uma portaria para criar um assentamento na área, que acolheria as famílias e levaria o nome de São Vinícius.

A CUT do Pará fez uma nota de repúdio sobre o ocorrido, pedindo para a segurança pública do estado e o Ministério Público socorrerem os feridos, garantirem o bem-estar dos moradores e prenderem os agressores.

“Mais uma vez, vidas estão ameaçadas por pistoleiros a mando de fazendeiros da região, lamentavelmente famílias inteiras viveram momentos de pânico e terror, situação como esta, que infelizmente está virando rotina no estado do Pará, sendo um total desrespeito aos direitos humanos das pessoas e aprofundando os conflitos agrários!”, disse a nota.

A Assembleia Legislativa do Pará afirmou ter o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Defesa do Consumidor, deputado Carlos Bordalo (PT), acompanhando o caso.

“O parlamentar tomou conhecimento que o tático da Polícia Militar faria o resgate de famílias que ainda poderiam estar na área e que fugiram do grupo armado”, disse em nota.

Segundo a comissão, pelo menos sete famílias e outros residentes do acampamento foram encaminhados para hospitais da região. Apesar de alguns cidadãos terem sido encontrados, vários continuam desaparecidos.

“Ainda há muitos acampados que se esconderam em fuga da violência e tiros, algumas foram colocadas à beira da estrada, amarradas e estariam machucadas, outras que conseguiram fugir se esconderam no meio do mato”, disse a Comissão de Direitos Humanos.

O deputado no caso disse ter acionado o Ministério Público do Pará, a Segup e a Polícia Civil.

Fonte: O tempo

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