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Onda recorde de IPOs emergentes encontra investidor ressabiado

Por Sydney Maki e Vinícius Andrade

Empresas de mercados emergentes abriram o capital em 2021 a uma velocidade recorde, logo antes de um ano que deve ser desafiador para os investidores de ações. Embora o preço da maioria dessas ações emitidas recentemente tenha subido desde a estreia em bolsa, o índice MSCI Emerging Markets registrou seu pior ano desde 2018. Isso sugere que o apetite por ativos de risco esteja diminuindo, com variantes do coronavírus e taxas de juro mais altas turvando o cenário nos próximos meses.

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Esses ventos contrários pareciam mais distantes quando uma maior necessidade por capital e a expectativa de retomada econômica global levaram 1.162 empresas de países emergentes a fazer ofertas públicas iniciais de ações em bolsas locais ou estrangeiras no ano passado. Ao todo, as ofertas levantaram 228 bilhões de dólares, um aumento de cerca de 31% em relação a 2020, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

“No ano passado, especialmente no primeiro semestre, vimos um boom de IPOs relacionados a tech nos mercados emergentes”, disse Ignacio Arnau, gestor da Bestinver Asset Management, que gere cerca de 8 bilhões de dólares. “Havia fatores tanto de fundamentos como de escassez guiando o apetite no mercado.”

A onda de novas listagens pode ter saciado alguma demanda por parte do mercado, especialmente no setor de tecnologia, diz Arnau, que vê menos transações menores sendo bem-sucedidas neste ano, independentemente de sua qualidade.

“Há várias empresas de alta qualidade com conceitos provados, modelos de negócios lucrativos e ótimos históricos negociando a valuations muito baratos”, ele disse.

Em 2021, a China liderou os IPOs de emergentes, com 602 ofertas, seguida por Coreia do Sul, Índia, Indonésia e Brasil. Daquelas transações cuja fixação de preço foi monitorada pela Bloomberg, a maioria veio dentro da faixa indicativa.

Desde que essas ações começaram a negociar, os preços subiram — em uma média ponderada por tamanho — em 30%, mostram os dados. Isso representa ganhos de 37% para empresas emergentes da Ásia e 27% para as do Oriente Médio e da África. Enquanto isso, as ações da América Latina e da Europa emergente caíram 14% e 13% desde a estreia, respectivamente.

A diversidade de performance pode estar relacionada às tendências de recuperação regional, bem como aos tipos de empresas que abriram o capital e tiveram desempenho superior no ano passado. As ações asiáticas de consumo, industriais e de tecnologia recém-listadas estavam entre aquelas que subiram — em uma base de média ponderada — assim como muitas das empresas que abriram o capital do Oriente Médio e da África nos setores de utilities e energia. Perdas no setor de comunicação atingiram a Europa emergente, enquanto os mercados latino-americanos foram impactados pelo risco político e as consequências contínuas da pandemia.

Em 2022, o escrutínio regulatório de Pequim e novas regras para ofertas de ações da China no exterior podem pesar sobre o ímpeto dos IPOs. O regulador do mercado de capitais da Índia também endureceu as regras em um momento em que empresas baseadas em tecnologia de consumo — algumas delas ainda não lucrativas — acessam o mercado.

Mesmo assim, a segunda maior fabricante de baterias do mundo em Seul e uma seguradora indiana com mais de 1,2 milhão de agentes estão entre os negócios que podem vir a mercado neste ano. Dubai também planeja listar uma série de empresas em uma tentativa de atrair investidores e ecoar o sucesso dos mercados de Abu Dhabi e Riyadh, que se beneficiaram de um boom de IPOs no ano passado.

No Brasil, banqueiros de investimento esperam que os negócios desacelerem à medida que os juros sobem e o país passa por uma eleição presidencial. Alguns dizem que o número de IPOs pode cair de cerca de 50 em 2021 para apenas dez em 2022.

Fonte: Exame

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