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Oncoclínicas testará mercado com IPO de R$ 3,5 bi

A Oncoclínicas decidiu enfrentar o mercado e seguir com a oferta pública inicial (IPO), a despeito de um mau humor aqui e outro ali. A oferta base da companhia deve ficar em R$ 3,5 bilhões, um valor abaixo do que a companhia inicialmente pretendia quando planejou listar ações na B3. Esse é o montante da operação sem os lotes adicional e suplementar, e que considera o ponto médio do intervalo de preços sugerido para a venda dos papéis, que vai de R$ 22,21 a R$ 30,29.

Mesmo se conseguisse sair no topo da faixa de preços — algo que nem SmartFit quis emplacar mesmo com uma demanda 20 vezes a oferta —, a operação poderia alcançar no máximo R$ 4,8 bilhões. Isso se incluídos no total ações do hot issue (adicional) e do greenshoe (suplementar), aquelas destinadas a atender cenários de demanda elevada.

De qualquer forma, a captação máxima possível para a empresa seria de R$ 2,7 bilhões, tomando como base o valor mais alto das ações, pois a oferta primária (que vai para o caixa da companhia) é sempre de 90,05 milhões de ações. Os lotes ampliados seriam todos do acionista vendedor, o Goldman Sachs, cujos fundos geridos controlam a Oncoclínicas desde uma capitalização em 2017.

No pior cenário das condições apresentadas, o Goldman Sachs levantaria cerca de R$ 1 bilhão com a oferta base (no piso dos valores apresentados). Trata-se de garantir metade do que foi investido lá atrás. Em 2017,  osfundos da instituição assumiaram o controle após um aporte da ordem de R$ 2 bilhões, conforme o EXAME IN apurou. Antes da oferta, o Goldman controla 93,5% das ações da empresa. Se vendesse os lotes extras e aumentasse o total embolsado, a fatia detida, ainda assim, permaneceria majoritária, pouco acima de 51%.

O preços sugeridos para os papéis indicam que a Oncoclínicas pode estrear na B3, ou seja, com o bolso já recheado, avaliada entre R$ 11 bilhões e R$ 15 bilhões. A companhia é desses casos de rápido crescimento, um misto de investimentos orgânicos com aquisições. Fundada em 2010, em Belo Horizonte, a partir de uma unidade, reúne hoje 69 clínicas espalhadas por diversos estados — dessas, 17 foram frutos de aquisições.

Para se ter uma ideia de como a chegada do Goldman pôde acelerar o crescimento, a receita líquida da companhia foi de R$ 667 milhões em 2016, volume que alcançou R$ 2,2 bilhões no ano passado, considerando as compras realizadas no decorrer do ano consolidadas integralmente. Desse total, obtido, R$ 1,7 bilhão é de expansão orgânica, ou seja, abertura de novas clínicas por esforço próprio.

A receita líquida contábil de 2020 foi de R$ 2,035 bilhões, com Ebitda de R$ 312,6 milhões, uma margem de 15,4%. Esse total só consolida das transações efetivamente finalizadas dentro do ano passado, proporcionalmente.

Tudo indica que o ritmo de crescimento se mantém, pois nos três primeiros meses do ano, a receita líquida somou R$ 614,55 milhões, o que elevaria o total anual a quase R$ 2,5 bilhões. O Ebitda de janeiro a março somou R$ 106,6 milhões, equivalente a uma margem superior a 17%.

Com grandes empresas listadas na bolsa, como a Rede D’Or, avaliada em mais de R$ 130 bilhões, além de outras como Hapvida e Grupo NotreDame Intermédica (que aguardam sinal verde para combinação dos negócios), além de diversos IPOs de menor porte realizados no primeiro semestre, o setor de saúde enfrenta uma certa super exposição dos investidores.

Há menos disposição para companhias novatas do que em setores com poucos representantes no mercado, ou até inéditos, como foi o caso da rede de academias citadas há pouco. Além disso, os grupos mais estruturados, seja de hospitais independentes ou verticalizados, estão todos buscando ampliar os serviços ligados aos tratamentos oncológicos, o que significa uma competição de players especializados. 

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Fonte: Exame

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