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Rondônia, segunda, 13 de julho de 2026.


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No Dia do Rock, ouvimos ídolos de várias gerações para saber de onde vem e para onde vai o bom e velho rock n’ roll

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Depois de décadas construindo uma fama de rebelde, com bandas que quebravam camarins, morcegos mordidos no palco, anéis de caveira, casacos de couro, a glamourização das drogas e tantas outras camadas que lhe deram essa aura libertária, o rock foi relegado à famigerada prateleira de música de tiozão lá pelos anos 2010. Diante do crescimento avassalador de outros gêneros que fisgaram as novas gerações, não era incomum ouvir por aí uma pergunta que, esta sim, envelheceu muito mal: “O rock morreu?”. Hoje, neste 13 de julho em que se comemora o Dia do Rock, O GLOBO ouviu alguns de seus maiores representantes nacionais para refletir de onde vem e para onde vai o bom e velho rock n’ roll.

— Realmente essa pergunta virou um clickbait — brinca Di Ferrero, que se apresenta no Palco Sunset do evento carioca no dia 4, o primeiro dia. — A cada nova geração essa pergunta volta e, pelo que já ouvi de entrevistas, isso acontece desde a época ali do Rolling Stones, depois na época do Led Zeppelin, depois nos anos 1980.

O líder do Capital Inicial segue o relator:

— Ouço essa pergunta há anos — reconhece Dinho Ouro Preto. — O rock não tem mais a onipresença do passado. Mas continua sendo um gênero que lota estádios, tanto bandas veteranas, como Paul McCartney, Titãs, Roger Waters, U2, etc., quanto as mais recentes, como System of a Down, Foo Fighters, Red Hot Chili Peppers. Além disso, existem excelentes e muito promissores novos talentos, como o Wet Leg e o Black Pantera. Pode não ser mais o gênero mais tocado ou vendido, mas vai muito bem, está vivíssimo.

Segundo levantamento feito pela Pollstar, empresa americana especializada em análise de dados da indústria global de shows, dentre as dez maiores turnês mundiais registradas no ano passado, três foram de artistas de rock — com Oasis na segunda colocação, atrás apenas de Beyoncé. Imagine Dragons e Coldplay também estão lá. Se não morreu (e ponto final), ao menos, envelheceu bem?

— Como estilo, sim. As bandas são atemporais. Você escuta bandas dos anos 1970, fazem sentido nas gerações que não estavam lá. Mas nem todos os roqueiros estão envelhecendo bem— provoca Tico Santa Cruz, dos Detonautas. — Alguns estão fora do que o rock sempre pregou: libertário, contestador, sempre abrigou a diversidade.

Quando perguntamos o que fazer para se manter relevante, a resposta é quase unânime: repertório.

— É fundamental criar, nunca parar de compor — diz Dinho.

Frejat completa:

— Se não tiver uma obra, uma banda não se sustenta.

Di Ferrero vai além:

— A música ainda está em primeiro lugar nessa indústria cada vez mais automatizada.

Vez ou outra criticado por não prevalecer o gênero que carrega no nome, o próprio Rock in Rio terá mais de 40% de sua programação voltada para diferentes vertentes do rock. Além dos entrevistados desta reportagem, nomes internacionais de diferentes gerações como Foo Fighters, Rise Against, Avenged Sevenfold e Bring Me the Horizon, entre outros.

— Achei a programação bem bacana e, como sempre, bem diversificada, como sempre é o Rock in Rio — diz Rogério Flausino, do Jota Quest.

Di Ferrero, que foi ao primeiro Rock in Rio, em 1985, na barriga de sua mãe, define:

— Rock in Rio mexe com sonho, multidão. Em 1985, o primeiro tinha o Queen, o AC/DC, mas tinha Alceu Valença, Zé Ramalho, artistas de outros estilos.

E tinha Roberto Frejat e Cazuza com o Barão Vermelho, numa de suas apresentações mais icônicas. Mais de 40 anos depois, o Barão vai se apresentar no palco principal do evento pela turnê “Encontro”, que reúne parte da formação original com Frejat, Guto Goffi, Dé e Maurício Barros. Eles abrem o Palco Mundo no terceiro dia, 6 de setembro.

— Os shows têm sido sensacionais, em cada lugar que passamos, e tenho certeza de que assim será também lá — diz Frejat.

Dinho Ouro Preto, que vai tocar com o Capital Inicial no primeiro dia, no Palco Sunset, com participação de Dado Villa-Lobos, não esteve no primeiro Rock in Rio como atração (foi como espectador). Depois, virou habitué: desde a estreia em 1991, o Capital tocou oito vezes e, empatado com Sepultura (que também toca neste ano), é a banda com mais participações na história do festival.

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