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Movimento União Rio: Juntos na resistência contra a fome

Por Luiza Serpa

É fácil cair no pessimismo de acreditar que nós, individualmente ou como empresa, não podemos fazer a diferença. Mas esses 15 meses de pandemia nos mostraram uma oportunidade única: a de nos unirmos – pessoas, negócios e organizações não-governamentais – para redesenhar o mundo em que queremos viver. E, definitivamente, não é num mundo em que comer todos os dias é um desafio para milhares de pessoas.

A fome no Brasil não tem a ver com disponibilidade de comida. Nosso país é o terceiro maior produtor de alimentos do mundo e, mesmo alimentando 1 bilhão de pessoas globalmente, há 19 milhões de brasileiros passando fome. No total, 116,8 milhões de brasileiros, ou metade da nossa população, sofre com algum nível de insegurança alimentar. Consequência da falta de acesso econômico aos alimentos.

Assim, o enfrentamento da fome passa, é claro, por políticas públicas de segurança alimentar e, indo mais fundo, de educação e geração de renda. Mas a fome não espera. Ela dói, exclui – na medida que impede o ser humano de se desenvolver física e mentalmente – e mata. É por isso que defendemos que toda pessoa, física e jurídica, precisa agir neste momento para colocar comida no prato de famílias em situação de vulnerabilidade. É assim que, nos tempos atuais, resistimos ao retrocesso na história brasileira da luta contra a fome.

Em indicadores globais, o nível da filantropia brasileira é historicamente baixo. Mas, diante da catástrofe, descobrimos que o quão forte é o poder da coletividade, com doações que atingiram R$ 6,5 bilhões de março a dezembro de 2020. Nos cinco primeiros meses de 2021, esse número arrefeceu, e chegamos a um total de R$ 7 bilhões em 31 de maio, segundo o Monitor das Doações da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR). Os alertas de fome voltaram a soar. Com trabalho colaborativo e em rede, o Movimento União Rio é uma de tantas iniciativas solidárias com as quais as empresas brasileiras podem se engajar. A ação já distribuiu 5,3 mil toneladas de alimentos, ou 400 mil cestas básicas, que alimentaram 1,6 milhão de pessoas em situação de vulnerabilidade social em 237 comunidades do Estado do Rio. Atuando de maneira ágil, a campanha se espalhou pelo Brasil e hoje é referência em programas de filantropia.

Pós-crise, a vida não volta a ser como antes e as empresas não podem voltar ao business as usual. Enquanto questões como mudanças climáticas, desigualdades sociais e fome afetam desproporcionalmente as populações mais vulneráveis, seus efeitos acabam prejudicando a todos, ameaçando também a comunidade empresarial.

É hora de cada empresário se perguntar como redesenhar suas operações para que as necessidades da sociedade sejam seu negócio principal – não apenas em tempos de crise, mas todos os dias. Como disse o arcebispo sul-africano Desmond Tutu, Prêmio Nobel da Paz em 1984: “Se todos que querem ver o fim da pobreza, da fome e do sofrimento falarem, o barulho será ensurdecedor”.

*Luiza Serpa é fundadora do Instituto Phi e cofundadora do Movimento União Rio.

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Fonte: Exame

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