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Mais de 30 coordenadores da Capes se manifestam contra presidente do órgão

Os coordenadores de 30 áreas de avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), instituição responsável pela qualidade da ciência e produção científica no Brasil, divulgaram na sexta-feira (24) uma carta com críticas à presidente do órgão, Cláudia Queda de Toledo.

Ao todo, a Capes conta com 49 áreas, e dessas 35 já se manifestaram publicamente contrárias à atual gestão. Coordenadores de áreas entre as quais biotecnologia, ciências ambientais, serviço social, literatura, ciências agrárias, ciências biológicas, medicina, enfermagem e engenharias assinaram a carta.

Outros cinco coordenadores pediram exoneração desde meados de dezembro em reação a Toledo.  Além deles, até o momento, 138 pesquisadores que atuavam como consultores de cinco áreas já se demitiram da Capes.

Segundo consta na carta mais recente, “as ações da presidência, seja na falta de diálogo amplo, necessário e respeitoso, seja na publicação de portarias intempestivas ou desprovidas de recomendações técnicas, que são revogadas pelas suas impertinências, colocam em risco o desenvolvimento sereno e transparente das ações de avaliação”.

Os coordenadores destacam no texto que “não há mais condições mínimas” de seguir o trabalho de avalição dos programas de pós-graduação “sob a égide da atual presidência”. 

Em outro trecho da carta, os cientistas deixam em suspenso a ameaça de que também podem renunciar aos cargos. “Salientamos com grande veemência que nós, Coordenadores de Área que ainda não apresentamos nossas renúncias, não o fizemos por entendermos que nossa permanência pode impedir, ou dificultar, um eventual, e potencialmente maior, desmanche do sistema de avaliação da Capes”. 

Os coordenadores temem que o sistema de avaliação da Capes seja  “desvirtuado devido a substituições inadequadas neste momento de crise”. “Permanecemos por acreditarmos na pós-graduação brasileira, nos pesquisadores e estudantes e, na própria Capes, como agência necessária para garantir a soberania do país”, frisa a carta.

Eles também criticaram as falas públicas da presidente na qual ela associa, de forma autoritária, as demissões coletivas a “insurgência” e “deserção”.

“A inabilidade da Presidência que levou ao esgotamento e esgarçamento das relações internas fica evidente no tratamento inadequado dado aos consultores e coordenadores que renunciaram. Estes pronunciamentos desrespeitosos em nada contribuem para trazê-los de volta e certamente afastam colegas que poderiam se candidatar a recompor essas coordenações neste momento desprovidas de liderança”, repudia o grupo.

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Fonte: O tempo

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