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Rondônia, quinta, 17 de setembro de 2026.


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Estelionato cresce em Rondônia e golpes pela internet avançam 79,6% em dois anos

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Rondônia registrou 59.902 ocorrências de estelionato entre 2023 e 2025, segundo dados da Polícia Civil obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) e analisados pela reportagem. Os números mostram crescimento ano a ano: foram 15.600 registros em 2023, 21.158 em 2024 e 23.144 em 2025 — uma alta acumulada de quase 50% no período.

O dado que mais chama atenção da própria corporação é a migração do crime para o ambiente digital. As ocorrências classificadas como estelionato em ambiente virtual cresceram 79,6% em dois anos, passando de 4.355 casos em 2023 para 7.824 em 2025. Em 2025, as categorias “Ambiente virtual (Internet)” e “Residência” somaram juntas 13.018 registros, o equivalente a mais da metade das ocorrências do ano.

A distribuição geográfica acompanha o mapa populacional e econômico do estado. Porto Velho lidera com folga: concentra 36,8% de todas as ocorrências registradas no triênio. No interior, Ji-Paraná aparece em segundo, com 8,4% dos casos, seguida por Vilhena (7,6%), Ariquemes (7,0%) e Cacoal (6,7%).

O que os números mostram

O estelionato é o crime definido no Código Penal como obter vantagem ilícita mediante fraude. Diferentemente do roubo, não há violência física: a vítima é induzida a entregar dinheiro ou dados por engano. É justamente essa característica que explica a expansão do delito para a internet — golpes aplicados por aplicativos de mensagem, ligações falsas, sites clonados e anúncios falsos dispensam aproximação física e permitem atingir um volume maior de pessoas.

Os registros classificados como “Residência” indicam, segundo o padrão das ocorrências, fraudes praticadas contra vítimas dentro de casa — frequentemente por telefone ou por visitas de golpistas que se passam por funcionários, vendedores ou prestadores de serviço. Entre essas modalidades está o golpe do falso advogado, que a Ordem dos Advogados do Brasil em Rondônia já acumula mais de 400 casos registrados.

A OAB secciona estadual acompanha o fenômeno porque a fraude usa a categoria profissional como isca: o criminoso se apresenta como advogado, oferece supostos serviços jurídicos ou promete a liberação de valores e cobra pagamentos antecipados. A entidade não aparece nas estatísticas policiais, mas os números próprios corroboram o mesmo movimento apontado pelos registros da Polícia Civil.

Concentração nos polos urbanos

A leitura territorial dos dados reforça o perfil do crime. Porto Velho, Ji-Paraná, Vilhena, Ariquemes e Cacoal somadas respondem por cerca de dois terços das ocorrências do estado. São municípios que concentram comércio, agências bancárias e maior densidade de conectividade — condições que, no crime de fraude, funcionam como ambiente favorável tanto para golpes presenciais quanto para os aplicados à distância.

O crescimento contínuo entre 2023 e 2025 também sugere que o fenômeno não é um pico isolado, mas uma tendência estrutural. O salto de 2023 para 2024 — cerca de 35% em um único ano — foi o mais acentuado do período, com estabilização em patamar mais alto em 2025.

Como as vítimas são atingidas

As modalidades registradas variam, mas o padrão das ocorrências em ambiente virtual envolve contato inicial por mensagem ou ligação, criação de um contexto de urgência ou de confiança e solicitação de transferência, pagamento via Pix ou fornecimento de dados pessoais e bancários. Golpes do tipo falso empréstimo, falsas loterias, anúncios de produtos inexistentes e impersonificação de instituições estão entre os mais comuns nas delegacias do estado.

A orientação repetida pelas autoridades é evitar pagamentos antecipados a desconhecidos, desconfiar de promessas de vantagens fáceis e confirmar, por canais oficiais, qualquer contato que invoque bancos, empresas ou profissionais liberais — categoria em que se enquadram os mais de 400 casos do falso advogado mapeados pela OAB.

Próximos passos

As ocorrências de estelionato seguem sendo registradas nas delegacias da Polícia Civil de cada município, e os inquéritos correspondentes tramitam nas unidades locais. O crescimento dos números de 2023 a 2025, documentado via LAI, tende a pressionar a corporação por reforço nas delegacias especializadas de atendimento ao consumidor e aos crimes cibernéticos.

Para quem foi vítima, o caminho formal continua sendo o registro de boletim de ocorrência — presencialmente na delegacia ou pelos canais digitais da Polícia Civil de Rondônia — com a apresentação de comprovantes de pagamento, conversas e demais registros que sustentem a apuração da fraude.

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