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Epidemia de gripe leva São Paulo a reservar leitos e contratar médicos

O aumento brusco de atendimentos e internações por sintomas respiratórios e síndrome gripal fez a Prefeitura de São Paulo reservar leitos para pacientes com esses quadros no Hospital Municipal da Brasilândia, na zona norte da cidade.

Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, 258 dos 406 leitos do hospital, ou seja, 63,5%, serão apenas para casos de pacientes com Sagrs (Síndromes Respiratórias Agudas Graves). Os demais continuam reservados para tratamento de Covid-19.

Do total para pessoas com sintomas gripais, serão 158 leitos de enfermaria e 100 de UTIs (Unidades de Terapia Intensiva).

A cidade de São Paulo voltou a registrar aumento nas internações por Covid-19 e síndromes respiratórias. Em sete dias, foram computadas 1.170 hospitalizações, um crescimento de 47% em relação aos sete dias anteriores, com 793 novos pacientes.

Os números foram analisados pelo Observatório Covid-19 Br com base em dados do censo hospitalar organizado pela Fundação Seade, que compila registros de internações fornecidos pelos hospitais diariamente.

Para Roberto Kraenkel, professor da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e integrante do Observatório, essa subida se explica pela presença de um novo agente infeccioso, que pode ser a variante ômicron do coronavírus ou o vírus influenza H3N2, que tem provocado epidemia de gripe em vários estados brasileiros.

Somente no hospital da Brasilândia foram 46 pacientes internados com síndromes gripais entre sábado (18), quando a unidade foi referenciada para estes casos, e o início da noite de segunda-feira (20).
“Quando a gente acha que melhorou, em 48 horas muda tudo”, afirmou o secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido, na manhã desta terça-feira (21), durante evento do governo estadual em Itaquera, na zona leste de São Paulo, para a assinatura de repasses para as unidades do Hospital Santa Marcelina.

Segundo ele, referenciar o hospital da Brasilândia vai permitir que a prefeitura faça um painel viral para identificar com maior precisão qual vírus está circulando na cidade.

Aparecido citou o aumento de casos de pessoas com sintomas gripais que procuraram atendimento na rede municipal. Segundo ele, em novembro inteiro foram 112 mil pacientes. Já nos 12 primeiros dias de dezembro foram 92 mil.

Boletins da secretaria confirmam a disparada. Em 1º de dezembro, 325 pacientes com quadro respiratórios tiveram atendimento na rede municipal. Na última terça, foram 873. No sábado passado, os médicos atenderam 1.065.

Conforme o secretário, por causa do crescimento brusco, a prefeitura irá fazer a contratação emergencial de 280 médicos, além de enfermeiros, para AMAs (Ambulatórios Médicos Ambulatoriais) e UPAs (Unidades de Pronto Atendimento).

Aparecido lembrou que em dezembro há fim de contratos de médicos residentes, o que piora o problema no atendimento crescente.
“Temos uma pressão brutal nas nossas unidades, que não imaginamos”, afirmou, para justificar as ações. Na véspera, ele negou à Folha haver sinais de disparada de internações na rede municipal. Ele reconheceu, porém, a alta de atendimentos por síndrome gripal.

Sem citar números, o secretário ainda afirmou nesta terça que prefeitura pediu ao Ministério da Saúde aumento na quantidade de doses para a campanha de vacinação contra a gripe de 2022. Neste ano, porém, com cerca de 4,5 milhões de vacinas aplicadas, a meta não acabou atingida e 75% do público foi aos postos para se imunizar.

Embora a vacina contra a gripe usada no programa de imunização deste ano tenha na sua composição a cepa H3N2, não é a mesma que circula agora. Essa, chamada de Darwin [cidade na Austrália onde ela foi identificada pela primeira vez], não está coberta pela atual vacina.

“As pessoas tiraram as máscaras”, afirmou o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn, que participou do evento desta terça ao lado do vice-governador Rodrigo Garcia (PSDB), sobre a alta de casos de pessoas gripais fora de época, na virada da primavera para o verão.

Gorinchteyn fez um alerta para crianças com vírus respiratórios. “Isso tem impactado, pois temos um surto respiratório sincicial responsável por bronquites”, disse.

Ômicron

Na noite de segunda-feira, a capital confirmou mais quatro pacientes com a variante ômicron do novo coronavírus. Ao todo, são 17 casos na capital paulista. Na semana passada, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) havia confirmado que há transmissão comunitária da nova cepa da Covid-19. Em todo o estado, são 20 registros confirmados.

Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, os pacientes apresentam sintomas leves e negam viagens ao exterior. “Todos já concluíram o período de quarentena, uma vez que a amostra é de 12 dias atrás e, agora, estão saindo os resultados dos sequenciamentos”, afirmou a pasta, em nota.
 

Fonte: O tempo

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