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Entenda a diferença entre o amor romântico e o amor genuíno

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Conheça alguns dos mitos por trás do amor romântico que podem destruir a saúde emocional e relacionamentos

Para muitas pessoas, falar sobre o amor é tocar em um tema altamente subjetivo, até porque se trata de um sentimento, sendo assim, teorias ou explicações técnicas não poderiam “explicar esse sentimento”. Essa maneira de pensar no amor como um sentimento “indescritível”, que apenas pode ser sentido, já é uma percepção baseada no romantismo.

O portal Mulher Quebrada esclarece sobre a diferença entre o amor romântico e o amor genuíno. Mais do que isso, o intuito é despertar para o quanto o romantismo tem impedido e destruído relacionamentos.

O psicanalista Fabiano Goes, em seu vídeo Romantismo: o inimigo das nossas almas, apresenta o romantismo como antiamor, ou seja, ao invés de desencadear relacionamentos saudáveis, esse “impostor” do amor atrai para a vida das pessoas relacionamentos frustrados, além de danos emocionais.

O QUE É O AMOR ROMÂNTICO?

Para entender a diferença entre o amor romântico e o amor genuíno, primeiro é preciso compreender o que é esse tal de amor romântico, afinal, amor e romantismo são duas grandezas distintas. Sim, o romantismo é uma grandeza, afinal, há centenas de anos têm afetado a percepção de pessoas sobre o amor e destruído a saúde emocional e relacionamentos de milhares de pessoas.

A monja Jetsunma Tenzin Palmo diz que as pessoas sempre confundem a ideia de amor com apego, porque imaginam que o apego e o “agarramento” nas relações demonstram amor, quando na verdade, mostram apenas que há apego, o que consequentemente gera dor. Quanto mais o ser humano deseja agarrar, mais tem medo de perder e, diante da perda, ocorre o sofrimento.

O amor romântico é uma das grandes mentiras da humanidade e há muitos mitos que estão por trás dessa crença, dentre eles:

Alma gêmea

Essa crença de que cada pessoa está destinada a alguém, é introjetada na mente humana desde a infância. Os desenhos clássicos mostram que o amor precisa ser exclusivo e fiel, sem experiências anteriores. Essa é a crença de que existe alguém perfeito para alguém perfeito, mesmo que logicamente essa “perfeição” não exista.

Onipotência do amor

Na literatura, nos filmes, em diversas manifestações de arte, costuma se fazer referência à onipotência do amor ou do amor acima de tudo.

Essa crença do amor que vence quaisquer obstáculos, multiplicando forças e fazendo que o ser humano resista, tem levado muitas pessoas à perda da dignidade e a relacionamentos infelizes e frustrados.

Os opostos se atraem

Esse é outro mito poderoso do amor romântico. De que ainda que essa “alma gêmea” seja muito diferente (porque o amor é onipotente!), é preciso aceitar todas as diferenças, vencer todos os obstáculos.

Outro aspecto doentio dessa crença é a de que é possível mudar alguém por amor, ou seja, esse amor existe com base em uma projeção futura e não na realidade, no presente, a como a pessoa é de fato.

O amor precisa ser declarado

Para o especialista Fabiano Goes, outro mito por trás do romantismo é o de que o amor precisa ser declarado, verbalizado, validado. E isso se vê frequentemente nas redes sociais.

O que essa necessidade de declaração gera também é a ideia de que ao declarar algo, a pessoa está criando um vínculo. Por trás desse desejo está o medo de perder, algo que se opõe completamente à grandeza do amor genuíno. Além disso, o especialista esclarece que o amor é feito de sugestão e não de declaração (que seria o antiamor).

GRANDEZA DO AMOR GENUÍNO – O QUE É PRECISO ENTENDER?

Para a compreensão da diferença entre o amor romântico e o amor genuíno é preciso entender que o amor genuíno, diferente do que se acredita com base no romantismo, é um sentimento real e concreto, passível de ser descrito, além de sentido.

Para a monja Jetsunma, o apego ou “crença no amor romântico” diz: eu te amo, por isso quero que você me faça feliz. Já o amor genuíno diz: eu te amo, por isso quero que você seja feliz, ainda que eu não esteja incluído nessa felicidade.

O amor genuíno é aquele que começa pela pessoa se sentindo preenchida por si mesma, assim, não haverá a sensação de que precisa de alguém para suprir uma necessidade de bem-estar.

O amor genuíno está livre de projeções. Não são projetadas ideias, ideais, desejos e fantasias românticas sobre a outra pessoa. O amor genuíno está livre de fantasias e com essa percepção, as pessoas se aproximam umas das outras como pessoas comuns.

No amor genuíno não há controle, carência, apego, raiva e conflito. Para a maioria das pessoas, à princípio, essa é uma constatação de fácil compreensão, mas difícil de ser vivenciada.

COMO SAIR DE UM CICLO DE RELACIONAMENTOS FRUSTRADOS?

A consciência da diferença entre o amor romântico e o amor genuíno já é o começo para uma mudança interior.

É recomendado “se cercar” de conteúdos e de pessoas que ajudem a derrubar com essas crenças enraizadas no amor romântico. A psicanálise e a TCC (terapia cognitivo-comportamental), por exemplo, são ferramentas importantes e que ajudam em uma transformação interna real.

Para a construção de relacionamento mais saudáveis é necessário aprender sobre o amor, um sentimento concreto embasado na realidade e que pode ser vivenciado de maneira íntegra pelos seres humanos.

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