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“É preciso inovar já, porque precisamos pagar as contas”, diz CEO da Rappi

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Os ciclos de inovação estão cada vez mais acelerados. Com a pandemia do novo coronavírus, as empresas precisam se reinventar e criar novos negócios com urgência. “O que mais tem é gente querendo fazer parceria, inovar e fazer novos negócios”, afirma Sergio Saraiva, presidente da Rappi. “Estamos num cenário cada vez mais incerto na retomada, não sei se todo mundo terá a mesma oportunidade de sobrevivência, então é preciso inovar agora, porque precisamos pagar as contas agora”, diz.

Sergio Saraiva, presidente da Rappi, e Gabriel Braga, presidente e fundador da QuintoAndar, conversam com Pedro Thompson, presidente da EXAME, sobre “Capitalismo consciente: o lado humano da pandemia”. A live faz parte da série de entrevistas EXAME Talks, no YouTube.

A Rappi, plataforma de entrega de produtos e serviços, testa novas funcionalidades o tempo todo. Muitas vezes, esses testes têm resultados negativos e podem levar a uma experiência ruim para os usuários, que precisam de um atendimento mais próximo. Um dos testes que não foram adiante, por exemplo, é a função de transporte e mobilidade, lançada em novembro do ano passado. Entre os testes que estão sendo feitos agora, estão a reserva de pré-lançamentos de carros e até de novos modelos de celular pelo aplicativo.

Os testes e seus resultados, com a resposta dos usuários e informações estatísticas, dirigem as decisões da empresa sobre novas funções. “Essa é uma das grandes vantagens de ser uma startup e não podemos perder isso nunca”, diz Saraiva.

Já para Gabriel Braga, da QuintoAndar, os testes de novas funções são essenciais, mas não podem dirigir cegamente as estratégias da empresa. Quando a startup do mercado imobiliário lançou a modalidade de aluguel sem fiador — ao mesmo tempo garantindo o pagamento de aluguel em dia ao proprietário —, a plataforma perdeu dois terços do público.

“Quando inovamos e fazemos algo diferente pela primeira vez, nem sempre o cliente entende”, diz Braga. Nesse momento é essencial ouvir o usuário e entender seus problemas, e o fundador sabia que a necessidade de fiador ou pagamento de seguro era um dos grandes obstáculos no mercado. Assim, manteve a decisão apesar dos testes terem dado outro resultado.

Cultura em crescimento

Testar, errar e inovar não são tarefas para qualquer perfil de funcionário. Por isso, um dos principais desafios de startups e empresas em crescimento acelerado é encontrar as pessoas certas para as vagas. Essa não é uma tarefa fácil quando é preciso contratar dezenas de pessoas por mês.

Na QuintoAndar, a entrevista busca entender qual a motivação do candidato em trabalhar para a empresa. “É muito nítido que muitos passaram por problemas no aluguel e querem ajudar a resolvê-lo de alguma forma”, diz Braga. Segundo ele, entender a motivação e o propósito por trás de cada colaborador ajuda a liderança a ter calma e dar mais autonomia ao time.

Identificar-se com o problema é uma das características de bons colaboradores também na Rappi. “Todo mundo trabalha melhor quando se identifica. Quando não, acaba contaminando mais gente”, diz Saraiva. Manter a comunicação com o time também é essencial. Na Rappi, é feita uma reunião semanal por vídeo em que as diferentes áreas podem apresentar seus projetos e qualquer um pode fazer perguntas.

Ecossistema de colaboração

A Rappi, assim como outras empresas que trabalham com o modelo de plataformas, depende da colaboração de diversas pessoas e parceiros. Saraiva diz que a empresa de entregas já vivia da relação entre usuários, empresas e estabelecimentos que fornecem produtos ou serviços e os entregadores parceiros, que vivem do frete de entrega. 

Essa colaboração, diz o presidente da Rappi, ficou mais importante com a pandemia do novo coronavírus e, por isso, a plataforma lançou três novas modalidades. A primeira foi um botão de doação, que permite que os usuários façam doações para organizações e comunidades carentes. Outra foi um botão de denúncia de violência doméstica, em parceria com a organização SOS Justiceiras, pensando em mulheres em risco por causa do isolamento social.

Além disso, a Rappi permite a venda e doação de testes de covid-19, ao lado de um grupo de empresas, de saúde a logística e pagamentos. Os testes são vendidos pela plataforma da Rappi e fazem parte do movimento “#2em2”, já que a cada teste vendido, um será doado para hospitais públicos e filantrópicos na mesma região onde o primeiro teste foi comprado. 

A QuintoAndar também buscou garantir a segurança de colaboradores e parceiros, sejam inquilinos, locatários corretores e até fotógrafos. Em todo o mundo, pessoas perderam a renda e poderiam ter dificuldade de pagar o aluguel — e enfrentavam o medo de perder a moradia em um momento em que ela é mais necessária. Por outro lado, muitos proprietários de imóveis dependem da renda do aluguel. Corretores e até fotógrafos dos imóveis também dependem dessa atividade. “Trabalhamos para garantir a renda dessas pessoas nos próximos meses”, diz Braga.

Novos negócios na pandemia

Assim como outras plataformas de entrega, a Rappi cresceu na pandemia e estendeu sua ação para outros setores. Em uma parceria com a empresa de software de gestão de varejo Linx, a colombiana passou a permitir que lojistas de shopping consigam vender mais facilmente seus produtos. A empresa também passou a atuar em saúde, com a venda de testes. 

A QuintoAndar também ampliou sua atuação. A startup imobiliária vai ampliar o home office até o final do ano e os colaboradores receberão uma ajuda mensal de custos para cobrir gastos com internet e terão reembolsos de materiais de apoio para o trabalho em casa.

Assim como a Rappi, a startup também criou um projeto para pequenos vendedores. Em uma parceria com a empresa Nuvemshop, passou a oferecer acesso gratuito a uma plataforma de e-commerce para os pequenos empreendedores que estão usando a ferramenta de Classificados da Vizinhança.

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Fonte: Exame