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Como fica o grupo J&F, dono da JBS, com possível volta dos irmãos Batista

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Com a decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) de liberar o empresário Joesley Batista a ocupar novamente funções executivas nas empresas do grupo J&F – decisão que se estende ao seu irmão Wesley -, a expectativa é que principalmente a JBS possa se beneficiar da decisão. Embora os empresários ainda não tenham anunciado qualquer medida neste sentido, o mercado vê com otimismo a decisão.

Para Pierpaolo Bottini, advogado que representa Joesley Batista, a decisão é importante e deve ser crucial para o grupo atravessar a atual turbulência econômica global.

As ações das empresas do grupo caíram 30% em um contexto de crise econômica deflagrada pela pandemia do novo coronavírus. Os irmãos [Batista] precisavam dessa autorização para poder voltar a conduzir efetivamente o seu negócio”, afirma Bottini em entrevista à EXAME.

A proibição da participação de Joesley Batista, direta ou indiretamente, em cargos executivos no conglomerado empresarial vigorava desde 2017. “Não há registros de que uma medida cautelar tenha durado tanto tempo, principalmente quando não há condenação”, afirma Bottini.

À época, Joesley foi acusado do crime de insider trading, que é o uso de informações privilegiadas no mercado financeiro. O caso envolve a delação premiada dos irmãos Batista, que acusa o ex-presidente Michel Temer e assessores próximos de corrupção.

Nesses dois anos e meio, Joesley não praticou qualquer ato que colocasse em suspeita a manutenção dessa medida cautelar. Mais do que isso, a empresa passa por um momento delicado e precisa do retorno dos irmãos Batista”, diz Bottini.

A J&F fechou um acordo de leniência com o Ministério Público Federal em 2017, no valor de 10 bilhões de reais. Já os irmãos Batista fecharam um acordo de delação premiada de não-denúncia por insider trading.

Recepção do mercado

No início da tarde desta quarta-feira, 27, as ações da JBS na bolsa brasileira B3 subiam 4,5%.  “A J&F tem mostrado que as medidas de compliance estão sendo tomadas, senão o papel da JBS não estaria subindo”, afirma Pedro Galdi, analista da Mirae Asset Corretora.

Para ele, depois de todo o imbróglio envolvendo a JBS e também o setor de carnes, no âmbito da operação Carne Fraca, o grupo fez ajustes de compliance, e os efeitos negativos do passado já foram absorvidos.

“No ano passado, os papéis das empresas de proteína animal subiram mais de 100%. Exceto pelos problemas da pandemia, o setor vai continuar com um bom desempenho”, diz Galdi.

Luiz Marcatti, presidente da consultoria Mesa Corporate, alerta que o mercado estará muito mais atento aos movimentos da diretoria do grupo J&F caso os irmãos voltem a ocupar cargos executivos nas empresas do conglomerado.

“Qualquer atuação do grupo será acompanhada com mais cautela. O mercado está apostando a favor da área de compliance da J&F, senão haveria neste momento uma debandada dos papéis da empresa”, diz o especialista.

Fonte: Exame

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