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Bolsonaro culpa Paulo Guedes por impasse com auditores no Orçamento 2022

Na véspera de Natal, comemorada nessa sexta-feira (24), o presidente da República Jair Bolsonaro (PL) convidou os jornalistas que faziam a portaria do Palácio da Alvorada para almoçar. 

Ele aproveitou a presença de uma parte da imprensa para desabafar sobre o imbróglio com os auditores fiscais da Receita Federal, que anunciaram paralisações de diversas atividades em reação à aprovação do Orçamento de 2022, pelo Congresso Nacional, na última terça-feira (21). Até o momento, mais de 600 auditores fiscais entregaram os cargos. 

“Isso aí vou conversar com o Paulo Guedes hoje de novo. Eles queriam [bônus] por produtividade, custava R$ 200 e poucos milhões. E a Economia resolveu não ceder. Da minha parte teria cedido, porque não é reestruturação, é cumprimento do dispositivo legal. Não precisava ser tão rígido dessa maneira. Não custava nada atendê-los”, disse Bolsonaro.  

Segundo o presidente, ainda não há data definida para que ocorra a sanção do Orçamento, mas está garantida de sua parte, apesar de ter ficado de fora a previsão de recursos para bancar a prorrogação da desoneração da folha de pagamento de 17 setores da economia por mais dois anos.

“Deram uma bobeada no Orçamento. Mas vai ser sancionado. Ontem que fiquei sabendo do imprevisto, mas olha vou sancionar, não interessa em que condições”, reclamou.

O chefe do Planalto justificou a prorrogação por dois anos para evitar que o futuro presidente, “seja quem for”, já comece renegociando com esses setores. 

“Então demos até final de 2023, quem assumir tem tempo pra se planejar aí. Agora a questão do teto, sei que tem equilíbrio de contas, um montão de coisa, mas é mortal”.

Reajuste para alguns servidores públicos

Graças à PEC dos Precatórios, o governo federal conseguiu abrir mais espaço fiscal para o orçamento do ano eleitoral. Nessa previsão de gastos, há R$ 2 bilhões para custear reajuste salarial das carreiras policiais e de agentes comunitários de saúde.

Há mais de dois meses Bolsonaro vem prometendo a todos os servidores um reajuste salarial, mas teve de recuar e, agora, o discurso é de que nem mesmo para os policiais há garantia de aumento salarial.

“Nós temos um teto. Gostaria de conceder reajuste ao servidor, agora continuo conversando com a equipe econômica pra ver o que a gente pode fazer. Servidores tiveram uma reforma previdenciária, inflação a 10% esse ano e tá bastante difícil a situação deles. Não existe privilégio para nenhuma classe de servidor”, disse o presidente.

“No orçamento foi reservado R$ 2 bilhões para atender uma outra categoria que por ventura esteja mais prejudicada. O que eu ouvi é que prefere não ter pra ninguém do que ter pra alguns poucos. Nada está definido nessa questão”, acrescentou.

Bolsonaro vem tentando justificar a articulação com o relator do Orçamento, deputado Hugo Leal (PSD-RJ), para garantir R$ 1,7 bilhões em recursos destinados ao aumento salarial das carreiras da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, do Departamento Penitenciário Nacional e do Ministério da Justiça.

Durante a tramitação no Congresso Nacional, os parlamentares incluíram no orçamento R$ 800 milhões para o reajuste dos agentes comunitários de saúde, única categoria além dos policiais que também vai contar com aumento de salário em 2022. 

Insatisfeitas, outras organizações de categorias têm ameaçado cruzar os braços no início do próximo ano. Entre as entidades, estão as que representam os chefes das unidades do Banco Central (Sinal), os médicos peritos federais (ANMP), os servidores do Poder Legislativo Federal e do Tribunal de Contas da União (Sindilegis), os auditores fiscais agropecuários (ANFFA Sindical) e todos os trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef).

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Fonte: O tempo

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