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A orientação sexual do governador e a verdadeira face pública da sociedade

Por Marcio de Freitas*

A orientação sexual e as suas consequências são debatidas de forma escamoteada desde a Grécia antiga. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), revigorou o debate de forma transparente e salutar ao assumir sua homossexualidade.

Na literatura grega, Laio é punido com uma maldição por ter tido uma relação homossexual durante o período restrito à reprodução, numa época em que aumentar a população era fundamental para ter soldados no futuro, ou seja, garantir a sobrevivência da cidade-estado. Sua condenação: ser morto pelo filho, que se casaria com a própria mãe. É a história de Édipo Rei, de Sófocles.

Modernamente, nossas tragédias sociais pedem sacrifícios outros num país com mais de 500 mil mortos pela covid. Encontrar um bom gestor público, honesto e com habilidade política é algo que parte substancial dos brasileiros faz atualmente, sem a ajuda da lanterna de Hermógenes.

Governador gay ou gay governador? Não é o que deveria interessar no século 21, quase três mil anos após a queda da democracia de Atenas. Ser homossexual é o âmbito da vida privada, ao qual se deve respeito.

O cidadão deve cobrar deveres do gestor, ao tratar do governo. O dever de cuidar da coisa pública, cumprir com suas obrigações, ter diálogo com amplos setores aos quais governa, oferecer itens básicos, como educação de qualidade, saúde decente e assistência social aos mais carentes. E condições de trabalho e de empreender aos investidores.

É bom Eduardo Leite não esconder quem é. Mas é nossa sociedade que mostrará sua verdadeira face pública se optar por julgá-lo por esse ponto ou pelas suas qualidades como político, pelo homem público que é.

*Márcio de Freitas é analista político da FSB Comunicação

Este é um conteúdo da Bússola, parceria entre a FSB Comunicação e a Exame. O texto não reflete necessariamente a opinião da Exame.

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Fonte: Exame