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Privatização levanta suspeitas e sindicatos apontam Aegea como beneficiária do contrato de água e esgoto
O anúncio do edital de concorrência pública para privatização do sistema de distribuição de água, coleta e tratamento de esgoto em 40 municípios de Rondônia no valor de R$ 8,4 bilhões levantou suspeitas de direcionamento e benefício a aliados políticos do atual Governo.
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Sindicato dos Urbanitários (Sindur) trabalham para manter os direitos dos trabalhadores da Caerd, mas não escondem a preocupação com o ingresso da Aegea em todo o sistema. “A Aegea apresenta problemas em outras privatizações, como em Manaus e Ariquemes”, disse Itamar Ferreira, ex-presidente da CUT, hoje militando como advogado dos sindicatos. Itamar e os sindicatos alertam também para o aumento de 100% da tarifa em Ji-Paraná, programado na planilha da futura vencedora.
A Aegea já tem tentáculos em Rondônia. A empresa pagou propina para políticos do Estado, segundo documentos e anexos de uma delação premiada homologada em 2025 pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo reportagem do UOL, executivos e colaboradores ligados à Aegea admitiram o pagamento de propinas a agentes públicos em seis estados, inclusive Rondônia, e 20 municípios. O esquema de distribuição de dinheiro ilegal chegou a R$ 63 milhões entre 2010 e 2018. O acordo de delação foi homologado pelo ministro Raul Araújo do STJ em fevereiro de 2025.
Deputados da base do Governo deram aval para venda da Caerd
Os deputados estaduais da base do Governo Marcos Rocha deram aval para privatização do sistema de água e esgoto de Rondônia. Em 2023, os parlamentares aprovaram o projeto do Executivo, transformado em Lei Complementar nº 1.200, criando a Microrregião de Águas e Esgotos do Estado de Rondônia, tirando na prática o gerenciamento dos serviços da estatal. Hoje a Caerd deve quase R$ 1 bilhão em encargos e tributos federais, mas essa dívida foi assumida pelo Governo de Rondônia para agilizar a venda dos ativos. Nesta semana, a Assembleia Legislativa, com exceção de poucos deputados, liderados por Rodrigo Camargo, aprovou um novo projeto vendendo os chamados “créditos podres” para a iniciativa privada, zerando os débitos da clientela com o Estado.
