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Rondônia, quinta, 15 de outubro de 2026.


Política

Flávio x Lula: o que defendem para saúde e combate à pobreza

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Da espera por atendimento no SUS à dificuldade de fechar as contas do mês, as demandas por saúde e proteção social atravessam a vida de milhões de brasileiros. As respostas do próximo governo a esses problemas serão determinantes para ampliar o acesso a serviços públicos, combater a pobreza e reduzir as desigualdades no país.

É nesse cenário que Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentam suas propostas para a Presidência. Os programas têm pontos em comum, como a ampliação da Estratégia Saúde da Família, mas diferem nas medidas previstas e no detalhamento dos compromissos para atender quem mais depende do Estado.

As propostas e as declarações de campanha dos dois candidatos para comparar o que cada um pretende fazer nessas áreas. Dados sobre a realidade brasileira e análises de especialistas ajudam a contextualizar as promessas e a discutir seus possíveis impactos na vida da população.

O que propõem os candidatos

SUS e financiamento da saúde

O que propõe Flávio Bolsonaro (PL):

  • Correção da tabela SUS: garantir condições para corrigir a tabela e assegurar uma remuneração que cubra o custo real dos atendimentos realizados por hospitais, santas casas e clínicas.
  • Contratação da rede privada: contratar serviços e exames nos horários ociosos da rede privada, aproveitando a capacidade disponível para ampliar o atendimento.
  • Modernização dos hospitais: fortalecer a Rede Nacional de Hospitais Inteligentes (EBSERH) e modernizar os hospitais universitários federais.
  • Digitalização do SUS: completar a digitalização do sistema, implantar prontuário eletrônico único integrado entre as redes pública e privada e usar inteligência artificial para agilizar o agendamento de consultas e exames.

O que propõe Lula (PT):

  • Fortalecimento do SUS: reafirmar o compromisso com o sistema público e universal e com a garantia do direito à saúde.
  • Financiamento da atenção básica: fortalecer instrumentos de financiamento para incentivar a qualidade do atendimento, no contexto das equipes de saúde da família e multiprofissionais, especialmente em territórios de maior vulnerabilidade social.
  • Investimentos na rede pública: continuar ampliando e modernizando equipamentos, policlínicas e hospitais, dando continuidade aos investimentos iniciados pelo Novo PAC.
  • Integração dos serviços: ampliar a integração entre atenção primária, vigilância em saúde, assistência farmacêutica e atenção especializada, com prontuário compartilhado.

Filas para consultas, exames e cirurgias

O que propõe Flávio Bolsonaro (PL):

  • Agendamento com inteligência artificial: agilizar a marcação de consultas e exames, direcionando o paciente à primeira vaga disponível.
  • Prontuário eletrônico único: integrar o histórico de atendimento entre as redes pública e privada para evitar a repetição desnecessária de exames e a espera por novos resultados.
  • Contratação da rede privada: contratar serviços e exames nos horários ociosos da rede privada para ampliar o atendimento e reduzir a espera.
  • Telessaúde e teleatendimento: permitir que médicos de regiões com baixa demanda atendam, por aplicativo, pacientes de localidades onde as filas são longas.

O que propõe Lula (PT):

  • Ampliação dos atendimentos: impulsionar o Agora Tem Especialistas, com expansão do terceiro turno nos serviços de saúde, reforço das Carretas da Saúde e dos mutirões.
  • Parcerias com hospitais privados: dar continuidade às parcerias para que esses hospitais ofereçam exames e cirurgias ao SUS, em troca de créditos financeiros ou de dívidas.
  • Organização e transparência das filas: aprimorar a regulação da atenção especializada, utilizando inteligência artificial e uma fila única digital, ordenada pelo risco clínico.
  • Equipamentos e infraestrutura: continuar ampliando e modernizando equipamentos, salas de cirurgia, policlínicas e hospitais.
  • Exames na atenção básica: ampliar a oferta de exames e recursos diagnósticos para aumentar a capacidade de atendimento das equipes e evitar encaminhamentos desnecessários à atenção especializada.
  • Integração do atendimento: ampliar a integração entre os serviços, com prontuário compartilhado e fluxos de encaminhamento e retorno, articulados às Ofertas de Cuidados Integrados (OCI).
  • Transporte sanitário: assegurar transporte sanitário em todas as regiões de saúde.

Saúde mental

O que propõe Flávio Bolsonaro (PL):

  • Ampliação do atendimento: fortalecer e ampliar a atenção à saúde mental, com acesso a diagnóstico, tratamento e apoio perto de casa.
  • Depressão e ansiedade: ampliar a atenção às pessoas com depressão e ansiedade.
  • Crianças com TDAH: promover o diagnóstico precoce e oferecer apoio às crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.
  • Idosos e cuidadores: oferecer cuidado aos idosos com Alzheimer e outras doenças neurológicas, além de apoio a quem cuida deles.
  • Apoio psicológico às mulheres: oferecer apoio psicológico nas Centrais da Mulher, com espaços físicos e unidades itinerantes.
  • Esporte e juventude: ampliar parcerias com a iniciativa privada, estados e municípios para incentivar o esporte como instrumento de formação e promoção da saúde mental dos jovens.

O que propõe Lula (PT):

  • Investimentos na rede de atendimento: ampliar os investimentos na Rede de Atenção Psicossocial e nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
  • Crianças, adolescentes e jovens: ampliar a atenção a esses públicos e aprimorar a política de saúde mental para a juventude, com foco na redução de danos e na desconstrução de preconceitos nas comunidades escolares e universitárias.
  • TEA e outras neurodivergências: fortalecer o diagnóstico e o acompanhamento de pessoas com transtorno do espectro autista e outras neurodivergências.
  • Mulheres em situação de violência: fortalecer o cuidado psicossocial.
  • Problemas relacionados a apostas: ampliar os profissionais e as estratégias voltadas às pessoas com problemas relacionados a jogos de apostas.

Vacinação

O que propõe Flávio Bolsonaro (PL):

  • Imunização: manter a imunização como parte das ações de prevenção em saúde.
  • Produção nacional: manter o incentivo à produção nacional de vacinas.
  • Registro de vacinas: incluir o histórico de vacinação no prontuário eletrônico único, integrado entre as redes pública e privada.

O que propõe Lula (PT):

  • Ampliação do acesso e da adesão: manter campanhas nacionais e ações em locais de fácil acesso e grande visibilidade para ampliar a vacinação em todo o país.
  • Vacinação nas escolas: manter a estratégia como prioridade para recuperar coberturas vacinais e prevenir doenças, com destaque para o HPV.
  • Dengue: fortalecer a vacinação para toda a população brasileira elegível.
  • Vírus Sincicial Respiratório (VSR): fortalecer a vacinação contra o vírus, apontado no plano como principal causador de bronquiolite em crianças pequenas.
  • Calendário do SUS: continuar incorporando novas vacinas.

Medicamentos e remédios de alto custo

O que propõe Flávio Bolsonaro (PL):

O plano não apresenta propostas específicas para ampliar o acesso a esses medicamentos.

  • Entrega em domicílio: criar um sistema de entrega de medicamentos em casa para idosos, pessoas com deficiência e doentes crônicos.
  • Registro de prescrições: incluir o histórico de prescrições no prontuário eletrônico único, permitindo que os médicos consultem os medicamentos utilizados pelo paciente.

O que propõe Lula (PT):

  • Farmácia Popular: manter o programa 100% gratuito, com revisão contínua dos medicamentos ofertados e continuidade da distribuição de fraldas geriátricas.
  • Locais de retirada: ampliar os pontos de acesso nas periferias das grandes cidades e construir alternativas onde não houver farmácias privadas para conveniar.
  • Tratamento do câncer: consolidar a rede pública de cuidado ao câncer, com equipamentos e tratamentos modernos e atualização de medicamentos quimioterápicos e imunoterápicos.
  • Produção e inovação nacionais: articular instituições públicas, empresas nacionais, universidades e institutos de pesquisa; aperfeiçoar as Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) e fortalecer a pesquisa e o desenvolvimento de insumos farmacêuticos ativos.
  • Contraceptivos e saúde menstrual: ampliar o acesso a métodos contraceptivos modernos e de longa duração, distribuídos gratuitamente no SUS, e fortalecer o Programa Dignidade Menstrual, incluindo acesso a medicamentos.

Agentes comunitários de saúde

O que propõe Flávio Bolsonaro (PL):

O plano não apresenta propostas específicas para os agentes comunitários de saúde. Prevê ampliar a Estratégia Saúde da Família, mas não detalha medidas de contratação, remuneração, capacitação ou condições de trabalho desses profissionais.

O que propõe Lula (PT):

O documento não apresenta propostas específicas para os agentes comunitários de saúde. Há um compromisso geral de apoiar a expansão e a qualificação das equipes de saúde da família, com destaque para as equipes multiprofissionais.

Atenção básica

O que propõe Flávio Bolsonaro (PL):

  • Saúde da Família: ampliar a Estratégia Saúde da Família, levando o atendimento para perto de casa.
  • Postos de saúde: ampliar e construir postos de saúde, no âmbito das propostas de atendimento às mulheres.
  • Prevenção: ampliar o acesso a exames preventivos e usar inteligência artificial para identificar pessoas com maior risco de adoecer e chamá-las para atendimento precoce.
  • Atendimento aos idosos: criar o Programa de Atendimento aos Idosos, com atendimento facilitado e adequado às necessidades dessa população.
  • Saúde da mulher: ampliar o cuidado preventivo e o acesso à saúde bucal, com atendimento por telemedicina e unidades móveis, incluindo barcos adaptados para a população ribeirinha.

O que propõe Lula (PT):

  • Equipes de saúde da família: manter o apoio à expansão e qualificação das equipes, especialmente as multiprofissionais, com atenção ao envelhecimento da população.
  • Qualidade e financiamento: fortalecer instrumentos de incentivo e financiamento para melhorar o atendimento, especialmente em territórios de maior vulnerabilidade social.
  • Saúde digital: intensificar o apoio a teleconsultas, teleorientação e teleacolhimento na rede básica.
  • Exames e diagnóstico: ampliar a oferta de exames e recursos diagnósticos para aumentar a capacidade de atendimento das equipes e evitar encaminhamentos desnecessários à atenção especializada.
  • Integração do cuidado: ampliar a integração da atenção primária com vigilância em saúde, assistência farmacêutica e atenção especializada, com prontuário compartilhado e fluxos de encaminhamento e retorno.
  • Prontuário e acesso pelo celular: acelerar a consolidação do prontuário único, permitindo marcação de consultas nas UBS e acesso a resultados de exames pelo celular.
  • Inteligência artificial: ampliar seu uso para triagem, priorização de casos graves, regulação por risco clínico e diagnóstico em áreas com escassez de especialistas.
  • Mais Médicos: dar continuidade à vinculação e fixação de profissionais, valorizando a formação em medicina de família e comunidade.
  • Saúde bucal: manter o apoio aos municípios para universalizar a oferta, com compra e transferência de equipamentos.

Transferência e redistribuição de renda

O que propõe Flávio Bolsonaro (PL):

  • Manutenção dos programas sociais: manter os programas existentes, com aperfeiçoamento da gestão, correção de distorções e combate às fraudes, sem especificar individualmente os benefícios.
  • Retorno ao benefício: garantir o retorno imediato ao benefício social após o seguro-desemprego, desde que mantidas as condições de elegibilidade.
  • Programa Acolher: remunerar alunos com bom desempenho para oferecer reforço escolar aos colegas do ensino fundamental, presencialmente ou a distância.
  • Programa Ganha, Ganha: permitir a conversão de pontos obtidos por ações como concluir cursos, trabalhar regularmente, poupar e pagar contas em dia em benefícios como cashback, descontos em serviços e juros menores, com participação voluntária.
  • Tributação do consumo: revisar a reforma tributária para reduzir a carga sobre a produção e o consumo, incluindo a redução do IVA e dos impostos sobre energia elétrica e combustíveis.
  • Tarifa social de energia: manter a tarifa social para a população de baixa renda.

O que propõe Lula (PT):

  • Bolsa Família: menciona recriação e expansão, incluindo benefícios especiais para crianças e adolescentes, como balanço da gestão. Assume compromisso geral de manter, aperfeiçoar e ampliar a proteção social, sem detalhar novos valores ou expansão específica do programa.
  • BPC: registra ganhos reais decorrentes da valorização do salário mínimo. Prevê continuidade dessa política, sem apresentar reajuste específico adicional para o benefício.
  • Pé-de-Meia: prevê continuidade, fortalecimento e aprimoramento.
  • Pé-de-Meia Licenciatura: prevê continuidade das medidas de apoio à formação docente e de aumento da atratividade das licenciaturas por meio do programa.
  • Bolsa Mais Professores: prevê continuidade das medidas de fixação de docentes em regiões do país e áreas do conhecimento por meio do programa.
  • Bolsa Atleta: prevê continuidade da ampliação e do fortalecimento do programa.
  • Medidas tributárias de redistribuição: apresenta como balanço a tributação de altas rendas, offshores e fundos exclusivos e a ampliação da isenção do Imposto de Renda. Menciona a isenção da cesta básica e o cashback para os mais pobres como mecanismos da reforma tributária aprovada, com implementação futura.
  • Valorização do salário mínimo: prevê continuidade da política como instrumento de distribuição de renda, combate à pobreza e desenvolvimento econômico e social.

Combate à pobreza

O que propõe Flávio Bolsonaro (PL):

Emprego e qualificação: priorizar beneficiários de programas sociais nas ações de primeiro emprego, qualificação profissional e intermediação de mão de obra, com uma trajetória específica de preparação e encaminhamento ao trabalho.

O que propõe Lula (PT):

  • Pobreza infantil: prevê ampliar e fortalecer as políticas para crianças, com enfrentamento da pobreza infantil e garantia de acesso às políticas públicas.
  • Combate à fome: prevê manter a ampliação do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), priorizando alimentos frescos e diversificados para equipamentos públicos e famílias vulneráveis. Também propõe fomentar cozinhas solidárias e restaurantes populares.
  • Moradia para famílias de baixa renda: prevê manter e ampliar o Minha Casa Minha Vida, preservando o foco nas famílias de menor renda.
  • Inclusão produtiva: prevê ampliar e integrar políticas de qualificação profissional e fortalecer a economia popular e solidária, com assistência técnica, crédito e apoio a cooperativas e redes de produção e comercialização.

Proteção social

O que propõe Flávio Bolsonaro (PL):

  • Rede Nacional de Cuidado: estruturar uma rede de apoio a idosos e pessoas com deficiência, com centros-dia e atendimento domiciliar, em parceria com estados, municípios e organizações sociais.
  • Creches e apoio às famílias: ampliar a oferta de creches em período integral e oferecer voucher para acesso à rede privada credenciada enquanto não houver vaga pública.
  • Acolhimento de idosos: ampliar as instituições de longa permanência para idosos quando o cuidado familiar não for viável ou suficiente.
  • Pessoas com deficiência e doenças raras: promover políticas de garantia de direitos, inclusão e integração social, incluindo a implantação de Centros de Referência em Transtorno do Espectro Autista.
  • Mulheres em situação de violência: ampliar os espaços de acolhimento para mulheres que precisam deixar o convívio com o agressor.
  • Famílias de vítimas de crimes: redirecionar às famílias das vítimas os recursos que o plano descreve como atualmente destinados às famílias de detentos.

O que propõe Lula (PT):

  • Assistência social: prevê fortalecer a Proteção Social Básica e a Proteção Social Especial de média e alta complexidade, com mais recursos e expansão e modernização da rede de atendimento do SUAS.
  • Povos e comunidades tradicionais: propõe consolidar uma agenda nacional de proteção social voltada a essas populações.
  • Famílias atingidas por desastres: prevê integrar o SUAS ao enfrentamento das mudanças climáticas e dos desastres, ampliando a capacidade de proteção às famílias afetadas.
  • Política Nacional de Cuidados: prevê fortalecer e ampliar a implementação da política, apoiar Cuidotecas, fomentar lavanderias públicas e instituir um programa de capacitação de cuidadores.
  • Pessoas idosas: prevê ampliar serviços de convivência, assistência e cuidado, apoiar a expansão e qualificação dos Centros-Dia e ampliar vagas públicas em instituições de longa permanência, com fiscalização dessas unidades. Também propõe atendimento domiciliar e expansão do PADI Brasil para idosos com limitações funcionais, condições crônicas e fragilidades clínicas.
  • Pessoas com deficiência: prevê manter a implementação do Viver sem Limites, promover acessibilidade, fortalecer a fiscalização das cotas de contratação e continuar apoiando a educação inclusiva e bilíngue de surdos.
  • Previdência Social: assume compromisso com o fortalecimento e a ampliação do acesso, a modernização dos serviços e o aprimoramento das fontes de financiamento.
  • Trabalhadores autônomos e de plataformas: prevê ampliar a proteção social diante de acidentes, doenças e interrupções da atividade, além de buscar cobertura previdenciária adequada às diferentes trajetórias de trabalho.

Programas destinados a famílias de baixa renda

O que propõe Flávio Bolsonaro (PL):

  • Casa Segura para Envelhecer: criar um programa de subsídios para adaptações de acessibilidade nas moradias de famílias de menor renda, voltado à população idosa.
  • Casa Verde e Amarela: retomar o programa habitacional, com meta de 2,5 milhões de residências e a menor taxa de juros possível no financiamento. O programa atendia famílias de baixa renda, mas não exclusivamente; o plano não especifica as faixas de renda previstas para sua retomada.
  • Financiamento estudantil: adotar o Empréstimo Contingente à Renda, com pagamento iniciado quando o estudante estiver empregado e recebendo renda, parcelas proporcionais aos ganhos e prazo mais longo. A proposta é apresentada como forma de facilitar o acesso de jovens de baixa renda à faculdade, mas o plano não define limites de renda nem restringe expressamente o financiamento a esse público.

O que propõe Lula (PT):

Os programas destinados a famílias de baixa renda estão contemplados nos subeixos de transferência e redistribuição de renda, combate à pobreza e proteção social.

O que dizem os candidatos

SUS e financiamento da saúde

O que diz Flávio Bolsonaro (PL):

“Vou transformar a saúde pública em saúde de qualidade, tornar o SUS moderno.”

— Flávio Bolsonaro, em sabatina da TV Globo em 28 de agosto de 2026.

“É exatamente o contrário. Vou fortalecer o SUS, vai ficar uma ferramenta de ainda mais qualidade.”

— Flávio Bolsonaro, em transmissão nas redes sociais em 8 de outubro de 2026, ao responder à alegação de que acabaria com o SUS.

O que diz Lula (PT):

“Cuidar da saúde é uma coisa que a gente precisa parar de utilizar a palavra gasto.”

— Lula, durante sanção da lei sobre atendimento a urgências cardiovasculares no SUS, no Palácio do Planalto, em 2 de setembro de 2026.

“Tratam muito mal o SUS. A imprensa nunca levou em conta quantas pessoas o SUS salvava, só anunciava as pessoas que tinham morrido […]”

— Lula, durante visita à fábrica da Eurofarma, em Montes Claros (MG), em 17 de setembro de 2026.

“Eu tenho dito no Ministério da Saúde que o hospital federal do Rio de Janeiro precisa ser um hospital de excelência.”

— Lula, em entrevista à Super Rádio Tupi, no Rio de Janeiro, em 18 de setembro de 2026.

“Não estou dizendo que o SUS fez tudo. Tem muita coisa para fazer. Quanto mais a gente evoluir, mais tem coisa para evoluir.”

— Lula, durante visita a um hospital em Belém (PA), em 28 de setembro de 2026.

“Fiquem preocupados porque, quando se falar em corte, significa meter a mão no bolso do povo trabalhador.”

— Lula, em declaração à imprensa no QG da campanha, em Brasília, em 8 de outubro de 2026.

Filas para consultas, exames e cirurgias

O que diz Flávio Bolsonaro (PL):

“Vamos integrar todo o sistema de saúde, porque a gente quer fazer um Brasil sem filas.”

— Flávio Bolsonaro, em discurso na convenção do PL em João Pessoa, em 2 de agosto de 2026, durante a pré-campanha.

O que diz Lula (PT):

“A Bahia em 2025 fez cerca de 914 mil. Nós temos um aumento de 28% de cirurgias eletivas.”

— Lula, durante agenda de campanha em Salvador, em 28 de agosto de 2026.

“Vamos ter 150 carretas da mulher andando por esse país.”

— Lula, em entrevista à Super Rádio Tupi, no Rio de Janeiro, em 18 de setembro de 2026.

“O Brasil já sabe da obsessão que eu tenho por esse programa mais especialista. É um sonho. É um sonho.”

— Lula, durante visita ao Hospital São João de Deus, em Belém (PA), em 28 de setembro de 2026.

Saúde mental

O que diz Flávio Bolsonaro (PL):

Não foram localizadas declarações específicas verificáveis no período de campanha.

O que diz Lula (PT):

“Nós vamos, inclusive, colocar no SUS programas especiais para tratar as pessoas. Tem muita gente que tem vergonha de dizer que está devendo.”

— Lula, em programa eleitoral na TV em 21 de setembro de 2026, ao abordar o vício em apostas.

“Eu não acho correto o povo brasileiro estar devendo e se matando e ficando doente com a doença chamada ludopatia, por causa de jogo.”

— Lula, durante ato de campanha no Recife, em 25 de setembro de 2026.

“O que quebra de verdade é a saúde mental do trabalhador com essa escala.”

— Lula, em publicação no X em 3 de setembro de 2026, sobre o fim da escala 6×1.

Vacinação

O que diz Flávio Bolsonaro (PL):

“O que posso garantir a todos os brasileiros é que não vai faltar vacina para ninguém.”

— Flávio Bolsonaro, em sabatina do G4 Educação e O Antagonista em 4 de agosto de 2026, durante a pré-campanha, ao responder sobre a condução da pandemia de covid-19 pelo governo do pai.

O que diz Lula (PT):

“O negacionismo saiu. O Zé Gotinha voltou.”

— Lula, em balanço sobre as ações de saúde divulgado nas redes sociais em 30 de agosto de 2026.

“Não desmereça a vacina, pelo amor de Deus. Dizer que vacina faz a pessoa virar gay, dizer que vacina faz a pessoa virar jacaré. É crime.”

— Lula, durante visita ao Hospital de Amor, em Barretos (SP), em 5 de setembro de 2026.

“Você está evitando que um pai ou uma mãe, por falta de informação, deixe de dar vacina numa criança […]”

— Lula, durante visita ao Hospital de Amor, em Barretos (SP), em 5 de setembro de 2026.

“Campanhas contra vacinas estão trazendo de volta doenças que julgávamos erradicadas.”

— Lula, em discurso na abertura da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em 22 de setembro de 2026.

Medicamentos e remédios de alto custo

O que diz Flávio Bolsonaro (PL):

“Está faltando remédio para dor de cabeça na UBS e o cara está prometendo canetinha de R$ 3 mil por mês.”

— Flávio Bolsonaro, em entrevista ao SantoFlow Podcast em 28 de setembro de 2026, ao criticar a proposta de Lula de oferecer canetas para o tratamento da obesidade pelo SUS.

Não foram localizadas declarações específicas verificáveis sobre a ampliação do acesso a medicamentos de alto custo no período de campanha.

O que diz Lula (PT):

“Agora, os 41 itens do programa, que incluem desde medicamentos até fraldas geriátricas, são oferecidos de forma gratuita para toda a população.”

— Lula, em publicação no X em 31 de agosto de 2026, sobre o Farmácia Popular.

“Estamos trabalhando para que o Brasil seja um país independente na maioria dos remédios que a gente produz.”

— Lula, em entrevista à Rádio Itatiaia, em Montes Claros (MG), em 17 de setembro de 2026.

“O que é importante é que essa canetinha [caneta emagrecedora] vai ser utilizada para cuidar de graça das pessoas que tenham obesidade, tá?”

— Lula, durante visita ao complexo industrial da Eurofarma, em Montes Claros (MG), em 17 de setembro de 2026.

“Hoje, quando eu vi aquela mulher com aquela criança de 10 anos de idade, tomando um remédio que custa 5 milhões por ano, 5 milhões por ano, de graça pelo SUS, aí eu falo, eu posso morrer, porque as coisas estão acontecendo na vida das pessoas.”

— Lula, ao relatar o atendimento de uma criança de 10 anos, durante visita ao Hospital São João de Deus, em Belém (PA), em 28 de setembro de 2026.

“Vão cortar no Pé-de-Meia, no Farmácia Popular, no Minha Casa Minha Vida, Merenda Escolar, no Gás do Povo […]”

— Lula, em vídeo divulgado nas redes sociais em 8 de outubro de 2026, sobre o ajuste fiscal defendido por Flávio Bolsonaro.

Agentes comunitários de saúde

O que diz Flávio Bolsonaro (PL):

Não foram localizadas declarações específicas verificáveis sobre agentes comunitários de saúde no período de campanha.

O que diz Lula (PT):

Não foram localizadas declarações específicas verificáveis sobre agentes comunitários de saúde no período de campanha.

Atenção básica

O que diz Flávio Bolsonaro (PL):

Não foram localizadas declarações específicas verificáveis sobre a ampliação ou o fortalecimento da atenção básica no período de campanha.

O que diz Lula (PT):

“Fortalecemos o Mais Médicos e o Farmácia Popular.”

— Lula, em publicação no X após o desfile da Independência, em Brasília, em 7 de setembro de 2026.

“E eu vou dar o que significa tesouraço para essa gente: corte de 59% no Farmácia Popular foi o que eu encontrei no orçamento para eu começar a trabalhar. Corte de 50,7% para os Mais Médicos, corte de 45% para a prevenção e controle do câncer.”

— Lula, em declaração à imprensa no QG da campanha, em Brasília, em 8 de outubro de 2026.

Transferência de renda

O que diz Flávio Bolsonaro (PL):

“Esse programa virou um direito adquirido do povo brasileiro. Ninguém tem o direito de tocá-lo, de acabar com esse programa.”

— Flávio Bolsonaro, no VEJA Fórum Rumos do Brasil em 15 de junho de 2026, durante a pré-campanha, ao defender a manutenção do Bolsa Família.

“Comigo, está garantido o Bolsa Família. Vou manter esse reajuste, mas vou fazer muito mais.”

— Flávio Bolsonaro, em transmissão nas redes sociais em 17 de setembro de 2026, ao comentar o reajuste do Bolsa Família anunciado pelo governo Lula.

O que diz Lula (PT):

“Vamos continuar mantendo o Bolsa Família, sonhando que, um dia, não se precise mais. […] Mas, enquanto precisar, no meu governo vai ter.”

— Lula, em entrevista à Rádio Itatiaia, em Montes Claros (MG), em 17 de setembro de 2026.

“Quero um país em que as pessoas tenham um bom emprego de qualidade e não precisem do Bolsa Família.”

— Lula, em entrevista com influenciadores de esquerda transmitida no YouTube em 30 de setembro de 2026.

“Toda vez que alguém da elite fala que vai cortar, ele corta do povo. Corta do sangue do povo, e não corta dos ricos. Nós fizemos ao contrário, e por isso vamos manter e aprimorar todas as nossas políticas sociais.”

— Lula, em vídeo divulgado nas redes sociais em 8 de outubro de 2026, sobre o ajuste fiscal defendido por Flávio Bolsonaro.

“Jovens das instituições universitárias vão receber R$ 700 reais de poupança universitária por dez meses.”

— Lula, em vídeo divulgado nas redes sociais em 13 de outubro de 2026, anunciando o Pé-de-Meia universitário para um eventual próximo mandato.

Combate à pobreza

O que diz Flávio Bolsonaro (PL):

“Eu vou fazer o maior programa de mobilidade social do Brasil. Meu projeto é tirar o pobre da pobreza e deixar o pobre rico.”

— Flávio Bolsonaro, em encontro com aliados no Rio de Janeiro em 9 de outubro de 2026, ao defender capacitação e qualificação profissional para beneficiários de programas sociais.

“Eu vou criar o Ministério da Prosperidade. Para quem quiser estudar, fazer curso, empreender, ter crédito, abrir o seu próprio negócio, crescer e prosperar.”

— Flávio Bolsonaro, no programa eleitoral na televisão em 9 de outubro de 2026, ao apresentar a proposta de uma pasta voltada à qualificação profissional e à autonomia financeira.

O que diz Lula (PT):

“Esse país não pode voltar a ser governado por gente que não gosta de pobre.”

— Lula, durante ato de campanha na Arena das Dunas, em Natal, em 20 de agosto de 2026.

“[…] Um país soberano é aquele capaz de (…) viver em um país livre da fome, da pobreza e de todas as formas de desigualdade, com direitos para todos, em vez de privilégios para poucos.”

— Lula, em pronunciamento em rede nacional pelo Dia da Independência, em 6 de setembro de 2026.

“É o Governo Federal cuidando de quem precisa, combatendo a fome, reduzindo a pobreza e criando condições para que milhões de brasileiros tenham mais renda.”

— Lula, em publicação no X em 17 de setembro de 2026, sobre o reajuste do Bolsa Família.

“A desigualdade e o subdesenvolvimento resultam de escolhas políticas. É possível colocar o pobre no orçamento e fazer os ricos pagarem a sua parte.”

— Lula, em discurso na abertura da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em 22 de setembro de 2026.

Proteção social

O que diz Flávio Bolsonaro (PL):

Não foram localizadas declarações específicas verificáveis sobre proteção social, além das já contempladas nos subeixos anteriores, no período de campanha.

O que diz Lula (PT):

“A sociedade brasileira está ficando idosa. Tem muita gente abandonada, muita gente que, às vezes, não tem aonde ir, então é obrigação do Estado criar um programa para garantir que o idoso, além de receber a aposentadoria adequadamente, tenha uma política de cuidado, um centro de referência.”

— Lula, em conversa com jornalistas durante agenda de campanha em Salvador, em 28 de agosto de 2026.

“Envelhecer é uma conquista civilizatória, e o Estado precisa estar preparado.”

— Lula, em balanço sobre as ações de saúde divulgado nas redes sociais em 30 de agosto de 2026.

“Nós vamos criar uma política de cuidado nesse país, para que a gente não deixe ninguém abandonado.”

— Lula, durante comício de campanha em Curitiba, em 12 de setembro de 2026.

“Apostamos na melhoria da produtividade, na ampliação do crédito e na construção de uma rede robusta de proteção social.”

— Lula, em discurso na abertura da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em 22 de setembro de 2026.

Programas destinados a famílias de baixa renda

O que diz Flávio Bolsonaro (PL):

Não foram localizadas declarações específicas verificáveis sobre outros programas destinados a famílias de baixa renda, além dos já contemplados nos subeixos anteriores, no período de campanha.

O que diz Lula (PT):

“Nós agora vamos entrar numa nova fase. O básico já está construído. Já tem ‘Luz do Povo’, ‘Gás do Povo’, já tem tudo que o pobre precisava para começar a sobreviver. Agora nós temos que dar um salto de qualidade. E o salto de qualidade começa por resolver, definitivamente, a questão da educação neste País.”

— Lula, durante ato de lançamento da campanha de Patrus Ananias ao governo de Minas Gerais, em Belo Horizonte, em 21 de agosto de 2026.

Raio X da pobreza, da desigualdade e do acesso à saúde

Os indicadores de pobreza e do mercado de trabalho melhoraram nos últimos anos, mas as desigualdades ainda marcam a realidade brasileira. Em 2025, a taxa média anual de desocupação caiu de 6,6% para 5,6%, o menor patamar da série histórica do IBGE, iniciada em 2012. No trimestre encerrado em agosto de 2026, a taxa ficou em 5,3%, o menor resultado para esse período da série.

Entre 2023 e 2024, a parcela da população abaixo da linha da pobreza caiu de 27,3% para 23,1%, enquanto a extrema pobreza recuou de 4,4% para 3,5%. Cerca de 8,6 milhões de pessoas saíram da pobreza, e 1,9 milhão deixou a extrema pobreza, levando os dois indicadores aos menores níveis desde 2012. Nessa divulgação, o IBGE considerou pobres as pessoas com renda domiciliar por pessoa inferior a R$ 694 mensais e extremamente pobres aquelas com menos de R$ 218, em valores de 2024.

Os programas sociais têm peso importante nesse cenário. Em uma simulação do IBGE que exclui os rendimentos provenientes desses benefícios, a pobreza em 2024 teria atingido 28,7% da população, em vez de 23,1%, e a extrema pobreza chegaria a 10%, ante os 3,5% observados.

Apesar desses avanços, a desigualdade de renda aumentou em 2025. O índice de Gini do rendimento domiciliar por pessoa passou de 0,504 em 2024 para 0,511 no ano seguinte. O indicador varia de zero a um: quanto maior o resultado, maior a desigualdade na distribuição de renda.

A pobreza também afeta de maneira desigual os grupos da população e as regiões do país. Em 2024, atingia 25,8% das pessoas pretas e 29,8% das pardas, contra 15,1% das brancas. No Nordeste, 39,4% da população estava abaixo da linha da pobreza, enquanto no Sul essa proporção era de 11,2%.

Na saúde, as diferenças regionais aparecem na distribuição dos profissionais. Segundo o estudo Demografia Médica no Brasil 2025, com dados de dezembro de 2024, o Sudeste concentrava 55,4% dos médicos especialistas do país, enquanto o Norte reunia apenas 5,9%. Esses percentuais mostram a concentração dos profissionais, embora não meçam, isoladamente, a disponibilidade de atendimento para cada habitante.

A demora para conseguir atendimento especializado é um dos obstáculos no acesso à saúde. Em 2024, o tempo médio de espera por consultas com especialistas foi de 57 dias nos registros do Sistema Nacional de Regulação (Sisreg), segundo levantamento do jornal O Globo com dados do Ministério da Saúde. As informações, porém, não abrangem todas as filas do SUS, pois parte dos estados e municípios utiliza sistemas próprios ou envia dados incompletos à plataforma federal.

O financiamento completa esse quadro. Segundo relatório da OCDE, do BID e do Banco Mundial publicado em setembro de 2026, com dados de 2024 ou do último ano disponível, os gastos públicos e privados com saúde no Brasil superavam US$ 2 mil por habitante, em valores ajustados pela paridade do poder de compra. A média dos países da OCDE era de cerca de US$ 6,1 mil por habitante, evidenciando a diferença nos recursos disponíveis para a assistência à saúde.

Análise dos especialistas

Ampliar o acesso à saúde e enfrentar a pobreza exige mais do que anunciar tecnologias ou novos programas. Na avaliação dos especialistas ouvidos pelo SBT News, as propostas precisam explicar como financiar os serviços, organizar o atendimento e combinar proteção social com oportunidades de geração de renda.

“Tudo aquilo que se propõe de programa novo ou de reforço de programas existentes, evidentemente, exige recursos. O recurso financeiro, sem dúvida, é uma questão básica que tem que estar contida em todos os programas para a saúde”, afirma Claudio Maierovitch, médico sanitarista e diretor da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

Claudio considera o financiamento do SUS insuficiente e vê a necessidade de investimentos em profissionais e infraestrutura. Ele também destaca que, apesar dos avanços na assistência farmacêutica, a compra de medicamentos ainda pesa no orçamento das famílias e pode impedir que pessoas mais pobres façam os tratamentos necessários.

As propostas de digitalização, presentes nos planos de Lula e Flávio Bolsonaro, também precisam vir acompanhadas de mudanças na organização dos serviços. Para Julia Pereira, gerente de Relações Institucionais do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), a fragmentação das filas e a falta de integração dos dados dificultam o acompanhamento do paciente entre consultas, exames e tratamentos.

“A digitalização ajuda, mas ela não resolve, porque ela não resolve o que não está organizado por trás. Prontuário eletrônico, telemedicina, eles não vão criar médico onde não tem. Ela não resolve as filas de exame, que é um dos grandes gargalos”, diz Julia.

Na avaliação da especialista, o plano de Lula aposta na continuidade de iniciativas em andamento, como o Agora Tem Especialistas e mudanças no financiamento da atenção primária. Já o de Flávio enfatiza o uso de tecnologia sem aprofundar suficientemente a organização do sistema, necessária para que essas ferramentas funcionem.

No combate à pobreza, André Portela, professor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EESP), defende preservar o Bolsa Família e ampliar as oportunidades de inclusão produtiva. Para ele, a transferência oferece uma estabilidade importante às famílias, mas deve ser acompanhada de medidas que ajudem quem tem condições de trabalhar a gerar renda própria.

“Tem uma parcela de pessoas ativas, ou potencialmente ativas, que os programas de transferência de renda, por alguma razão, as pessoas recebem por serem pobres, mas você pode agora acoplar ou redesenhar esses programas para elas deixarem de ser pobres, ou dar oportunidade para elas”, afirma André.

Isso envolve, segundo o professor, iniciativas de capacitação e apoio ao empreendedorismo, além de aperfeiçoamentos na articulação entre benefícios e mercado de trabalho. Ele ressalta, porém, que pessoas sem condições de gerar a própria renda continuarão necessitando de proteção social e que reduzir a pobreza exige combinar crescimento econômico com redistribuição.

Já Guilherme Klein, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da USP (Made-USP), enfatiza a justiça tributária, contemplada no plano de Lula. Para ele, enfrentar a concentração de renda exige rever um sistema em que os mais pobres pagam proporcionalmente mais impostos, enquanto os muito ricos dispõem de mecanismos que reduzem sua tributação.

“Isso tanto porque a carga tributária sobre consumo é muito grande, e os mais pobres, uma parcela maior da renda deles é concentrada em consumo. E, por outro lado, porque os muito ricos conseguem ter um monte de exceções no topo e pagar menos impostos”, diz Guilherme.

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