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Dia da Educação: acesso a livros ainda é desafio no Brasil
O Dia Nacional da Educação é comemorado nesta terça-feira (28) com um desafio conhecido: ampliar o acesso à leitura no país. Dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, de 2024, mostram que 47% das pessoas com 5 anos ou mais podem ser consideradas leitoras — o menor índice desde 2007.
Nesse contexto, o país passa a adotar um novo Plano Nacional de Educação (PNE), sancionado neste mês e válido pelos próximos dez anos. Entre as várias diretrizes, está o incentivo à leitura desde os primeiros anos escolares, com a proposta de ampliar o contato dos estudantes com livros dentro e fora da sala de aula.
O plano reúne 73 metas e 372 estratégias, voltadas à educação infantil, ao ensino básico e à formação de professores, além da redução das desigualdades no acesso ao ensino. Essas diretrizes estão organizadas em 19 objetivos, que incluem:
- Ampliar a oferta de matrículas em creche e universalizar a pré-escola;
- Garantir a qualidade da oferta de educação infantil;
- Assegurar a alfabetização ao final do 2º segundo ano do ensino fundamental para todas as crianças;
- Assegurar que crianças, adolescentes e jovens concluam o ensino fundamental e médio na idade regular;
- Garantir a aprendizagem dos estudantes no ensino fundamental e médio;
- Ampliar a oferta de educação em tempo integral na rede pública;
- Promover a educação digital para o uso crítico, reflexivo e ético das tecnologias da informação e da comunicação;
- Promover a educação ambiental e o enfrentamento das mudanças climáticas em todos os estabelecimentos de ensino;
- Garantir o acesso, a qualidade e a permanência em todos os níveis e modalidades da educação indígena, quilombola e do campo;
- Garantir o acesso, a oferta e a aprendizagem dos alunos da educação especial e bilíngue de surdos;
- Assegurar a alfabetização e ampliar a conclusão da educação básica para todos os jovens, adultos e idosos;
- Ampliar o acesso e a permanência na educação profissional e tecnológica;
- Garantir a qualidade e a adequação da formação às demandas da sociedade, do mundo do trabalho e das diversidades de populações na educação profissional e tecnológica;
- Ampliar o acesso, a permanência e a conclusão na graduação, com inclusão e redução de desigualdades;
- Garantir a qualidade de cursos de graduação e instituições de ensino superior;
- Ampliar a formação de mestres e doutores, de forma equitativa e inclusiva, com foco na solução dos problemas da sociedade;
- Garantir formação e condições de trabalho adequadas aos profissionais da educação básica;
- Assegurar a participação social no planejamento e gestão educacional;
- Assegurar a qualidade e a equidade nas condições de oferta da educação básica.
Desafios no incentivo à leitura
O desafio de ampliar o acesso à leitura aparece tanto dentro quanto fora das escolas. Em muitas unidades de ensino, os acervos ainda são limitados e, fora delas, nem sempre os estudantes têm contato com livros em casa, o que reduz a frequência da leitura no dia a dia.
O PNE prevê mudanças para a ampliação de acervos nas escolas e a inclusão da leitura na rotina dos alunos desde a educação infantil, com participação das famílias. Nos primeiros anos do ensino fundamental, a proposta é fortalecer atividades que ajudem a criar o hábito de ler.
Para especialistas, o desafio não está só em incentivar a leitura, mas em torná-la parte da rotina. “O novo plano incentiva a leitura literária como prática cotidiana, por meio da leitura dialogada e de atividades criativas que envolvem professores e estudantes. Nesse contexto, a literatura deixa de ser apenas um recurso pedagógico e passa a ocupar um lugar ativo na formação integral, estimulando imaginação, sensibilidade e pensamento crítico”, afirma a especialista em leitura do Grupo Eureka, Malu Carvalho.
Esse estímulo, segundo ela, também tem impacto em outras etapas da aprendizagem: “Dessa forma, o PNE não apenas enfrenta o desafio da alfabetização na idade certa, mas também contribui para a formação de leitores autônomos, críticos e sensíveis”.
A falta de acesso fora da escola ainda aparece como um dos principais entraves. “Ler é desvendar o mundo. É a partir da leitura que nós entendemos e compreendemos as relações que se estabelecem ao redor. É como o estudante forma sua visão de mundo, a sua identidade. A leitura tem de estar presente em qualquer ação educacional, é o primeiro passo para a construção do conhecimento”, completa Malu Carvalho.
