A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou nesta sexta-feira, 4, o edital de concessão da Rota Agro Central, corredor formado pelas rodovias federais BR-070/MT, BR-174/MT e BR-364/MT/RO. Estruturado com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o lote tem 888 quilômetros de extensão e liga Mato Grosso a Rondônia.
O contrato terá prazo de 30 anos e prevê R$ 6,1 bilhões em investimentos para operação, recuperação, manutenção e ampliação da capacidade das rodovias. Entre as intervenções previstas estão 23 quilômetros de duplicação, 163 quilômetros de faixas adicionais, além da implantação de passarelas, dispositivos de interseção, vias marginais e pontos de parada e descanso.
A Rota Agro Central se conecta à Rota Agro Norte em Vilhena (RO) e é considerada estratégica para o escoamento de grãos do oeste de Mato Grosso, especialmente da região de Sapezal. A ligação com a hidrovia do Rio Madeira também integra a logística de distribuição de produtos agropecuários, enquanto o corredor conecta Cuiabá (MT) e Porto Velho (RO).
Este será o sexto lote levado a leilão no contrato de estruturação de rodovias federais firmado entre o BNDES e o Ministério dos Transportes. É também o quarto projeto no eixo Centro-Norte, onde os trechos concedidos devem mobilizar mais de R$ 20 bilhões em investimentos privados, segundo o BNDES.
A carteira de projetos rodoviários do banco reúne mais de 12 mil quilômetros de vias federais e estaduais em todo o país.
Apesar da previsão de investimentos, representantes do setor produtivo de Vilhena demonstram preocupação com os possíveis efeitos sobre os custos de transporte. A Associação Comercial de Vilhena avalia que ainda é cedo para mensurar os impactos, já que a decisão é recente, mas o posicionamento inicial das entidades é contrário à concessão.
A preocupação também é compartilhada pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Vilhena, que aponta os impactos já sentidos com a concessão existente no trecho da BR-364 entre Porto Velho e Vilhena.
Para o setor produtivo, qualquer aumento nos custos de transporte pode afetar toda a cadeia econômica, especialmente porque a BR-364 é um dos principais corredores utilizados para o escoamento da produção de soja, milho e outros produtos de Rondônia.
Com o leilão previsto para dezembro, a expectativa agora é acompanhar os detalhes do contrato de concessão e os impactos que a nova administração da rodovia poderá trazer para Vilhena, Rondônia e o setor de transporte e logística.
