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Rondônia, quinta, 05 de março de 2026.


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Presidente da FIERO afirma que o combate a ilícitos na Amazônia passa pela expansão da economia formal

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Com objetivo de analisar os resultados concretos da COP30 e dialogar sobre os próximos passos do setor produtivo rumo à COP31, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO), Marcelo Thomé, participou nesta quarta-feira, 4 do evento “Pós-COP30: O papel da indústria na agenda de clima”, realizado na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília.

Representando o setor produtivo rondoniense e amazônico, Thomé, que também preside o Instituto Amazônia+21 e a Facility Investimentos Sustentáveis, afirmou que a agenda climática global precisa, obrigatoriamente, estar atrelada ao desenvolvimento econômico e à geração de riqueza local.

Durante sua fala, o presidente da FIERO trouxe um dado relevante sobre a realidade da região: dos cerca de 30 milhões de habitantes da Amazônia Legal, 44% estão inscritos no Cadastro Único. “Significa dizer que toda e qualquer política de desenvolvimento orientada para aquela região fracassou, porque quase metade da população depende de programas sociais para subsistir”, disse.

Para mudar esse cenário em Rondônia e nos demais estados da região, Marcelo defendeu que a melhor estratégia de conservação é a geração de negócios formais. Onde há atuação de empresas com atividade econômica regular, há uma incidência muito menor de crimes e ilícitos ambientais.

“A agenda de conservação da Amazônia e de enfrentamento ao desmatamento, aos ilícitos e à expansão do crime organizado na região é a expansão da atividade econômica”, disse Thomé. Para ele o consenso global de manter a floresta em pé não pode se tornar uma “prisão” que condene a região à ausência de infraestrutura e empregos.

O contexto pós-COP30 coloca as indústrias do Brasil em uma posição estratégica para liderar a transição para uma economia de baixo carbono. O desafio agora é transformar o potencial do bioma amazônico em cadeias produtivas reais, rompendo com o paradigma de que a Amazônia deve ser apenas intocada.

Para destravar os investimentos necessários, o presidente apresentou a atuação da Facility Investimentos Sustentáveis, uma plataforma de blended finance que atua para conectar os recursos de governos e fundos internacionais aos projetos locais. A iniciativa oferece assistência técnica robusta para garantir a viabilidade econômica dos projetos, mitigando riscos ligados à regularização fundiária e à estruturação dos negócios.

Essa estruturação de projetos visa corrigir um dado alarmante apontado no evento: nos últimos anos, 70% de todo o investimento em inovação na Amazônia não gerou economia nem vagas de emprego. “O objetivo é reorientar o capital para projetos efetivos de desenvolvimento, garantindo inovação que gere valor e que, ao final, tenha nota fiscal sendo emitida”, concluiu Thomé.

O painel foi moderado por Davi Bomtempo, superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, e contou também com a participação do deputado Arnaldo Jardim, de Deryck Pantoja, presidente do Conselho de Meio Ambiente da FIEPA e de Maria Emília Peres, sócia da Deloitte Brasil.

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