Política
Governo brasileiro estuda envio de ajuda humanitária a Cuba
O governo brasileiro avalia a possibilidade de enviar ajuda humanitária a Cuba. Entre as alternativas estudadas estão a doação de alimentos e remédios ao país caribenho, nos moldes do que fez o México.
Discussões sobre formato, volume e data desses envios estão em curso no Palácio do Planalto e também devem envolver as pastas da Saúde e da Agricultura, que não confirmaram oficialmente iniciativas concretas.
Nos últimos dias, segundo interlocutores, o presidente Lula (PT) não manteve contato ou recebeu pedidos explícitos de ajuda do líder cubano Miguel Díaz-Canel. Mas a pressão de setores de esquerda somada aos relatos que chegam à embaixada do Brasil em Havana têm ampliado a demanda por um aporte brasileiro ao país.
Parte do mais recente agravamento se deve às sanções aplicadas pelos Estados Unidos contra Cuba. A Casa Branca passou a estipular tarifas contra países que forneçam petróleo à ilha. A determinação veio na esteira da ação militar na Venezuela, fornecedora de petróleo para os cubanos, que culminou na captura de Nicolás Maduro.
Por ora, o governo brasileiro não trabalha com a chance imediata de uma mudança de regime em Cuba, mas com uma tendência real de aprofundamento da crise humanitária, o que pode levar, inclusive, a processos de migração em massa.
No último sábado (7), quando discursava no aniversário de 46 anos do Partido dos Trabalhadores, em Salvador, Lula citou a necessidade de ajuda ao dizer que Cuba é vítima de um “massacre de especulação” por parte dos norte-americanos.
“O nosso país é um país soberano. A gente quer trabalhar com todo mundo, mas a gente não quer dono e não quer voltar a ser colonizado. O nosso país é solidário ao povo cubano que é vítima de um massacre de especulação dos Estados Unidos contra eles. E nós temos que encontrar, enquanto partido, um jeito de ajudar”, afirmou.
Nos últimos dias, o México anunciou o envio de mais de 800 toneladas de alimentos e itens de higiene para Cuba. Os navios mexicanos atracaram em Havana nessa quinta (12). A China também se dispôs a ajudar no enfrentamento da crise de energia provocada pela escassez de combustíveis.
A situação em Cuba está na pauta de assuntos que devem ser levados pelo Brasil para a reunião com a Casa Branca, em março. O encontro ainda não tem data para acontecer.
