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Flora Calheiros, Marise Castiel e Carmela Dutra: conheça as mulheres que dão nome a escolas em Porto Velho
Flora Calheiros Cotrin, Marise Castiel e Carmela Dutra são nomes bastante conhecidos em Porto Velho, principalmente por estarem estampados nas fachadas de escolas. Mas afinal, quem são as mulheres por trás dessas homenagens?
Vindas de diferentes lugares, essas mulheres construíram histórias que ultrapassaram suas cidades de origem. Em Porto Velho, os nomes delas fazem parte do dia a dia de centenas de estudantes.
Flora Calheiros
Flora Calheiros Cotrin foi professora em Eunápolis, no interior da Bahia. Segundo a historiadora Rita Vieira, ela é referência nacional em excelência pedagógica, promoção de cultura e vivências sociais.
Em uma comunidade interiorana e marcada por dificuldades sociais, Flora ficou conhecida por promover eventos culturais e ações sociais que transformaram a realidade local. Seu trabalho ultrapassou a sala de aula e mobilizou a população em torno da educação e da cultura.
Hoje, o nome de Flora Calheiros está em uma escola localizada no bairro Esperança da Comunidade, na zona Leste de Porto Velho.
Marise Castiel
A paraense Marise Castiel era professora da educação primária e se mudou para Porto Velho para acompanhar o marido, que assumiria a presidência de um partido político na cidade.
De acordo com Rita Vieira, mesmo em um período em que as mulheres ainda não tinham espaço garantido na política, Marise Castiel se destacou como liderança feminina. Ela e o marido chegaram a Porto Velho no início da década de 1950.
Marise foi secretária municipal de Educação, presidente do Conselho Educacional Municipal e também participou da fundação da escola de samba Pobres do Caiari, da qual foi presidente.
Ela mantinha boas relações com nomes influentes da política local, como Chiquilito Erse e o ex-governador Jorge Teixeira. Marise é lembrada como uma das grandes lideranças políticas, culturais, sociais e educacionais da história de Porto Velho.
Atualmente, Marise Castiel dá nome a uma escola municipal que atende cerca de 360 alunos da educação infantil, além de uma escola particular na capital.
Carmela Dutra
Carmela Dutra foi primeira-dama do Brasil após a eleição do marido, Eurico Gaspar Dutra, em 1946, logo após o fim da Era Vargas.
Militar, Dutra representava os interesses das Forças Armadas naquele momento político. Carmela, por sua vez, simbolizava o perfil conservador atribuído às mulheres da época.
Segundo a historiadora Rita Vieira, Carmela morreu em 1947, vítima de um erro médico durante uma cirurgia. Por ser primeira-dama e ter falecido enquanto o marido ainda estava no exercício do mandato, acabou sendo homenageada em diversas escolas pelo país.
Em Porto Velho, Carmela Dutra nomeia uma das primeiras grandes escolas públicas construídas na cidade. O nome dela também está presente em ruas e colégios em várias regiões do Brasil.
Mulheres em Rondônia
Para Rita Vieira, dar nomes de mulheres a escolas e ruas é uma forma de mostrar que a história não foi construída apenas por homens.
“Ter nomes de escolas de mulheres que representaram uma atuação nacional na educação mostra que mesmo com todos os desafios e a fragilidade que nós ainda enfrentamos na atualidade em relação aos direitos femininos, que as mulheres lutam muito por espaço, por reconhecimento, e que a história”, disse.
Porto Velho nasceu durante a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Durante muito tempo, os homens ligados à obra foram os principais homenageados. Mas, segundo a historiadora, muitas mulheres também tiveram papel fundamental, mesmo que nos bastidores.
“Ela é construída por grandes e fortes mulheres que por muito tempo ficaram negligenciadas dentro da história, mas que lutaram e continuam lutando para transformar realidades sociais, culturais e políticas dentro da história, não só de Rondônia, mas do nosso país inteiro”, completou Rita.
Entre essas mulheres estão as educadoras barbadianas, descendentes de trabalhadores afro-antiguanos que vieram para a região durante a construção da ferrovia. Elas acompanharam maridos, pais e irmãos, mas também protagonizaram um forte movimento educacional, que resultou na criação da Escola Barão do Solimões, fundada em 1927 e considerada a primeira escola pública de Porto Velho.
“As educadoras afro-antiguanas, como a professora Aurélia Bankfield, como as descendentes da família Johnson, Eunice, Berenice Johnson, que são professoras da Universidade Federal de Rondônia, e ainda estão vivas, deveriam ser homenageadas também”, afirma a historiadora.
Outros nomes citados por Rita Vieira são os de Ursula Maloney, que participou da fundação da Secretaria Estadual de Educação; Janilene Melo, a primeira governadora de Rondônia; e da professora Ronilza Cordeira.
“Existem muitas mulheres negligenciadas na história de Rondônia, de Porto Velho, que deveriam ser homenageadas”, completou.
