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Corpos dos cinco integrantes do grupo musical serão exumados às vésperas dos 30 anos do acidente
Os corpos dos cinco integrantes da banda Mamonas Assassinas — mortos em um acidente aéreo na Serra da Cantareira em 1996 — serão exumados nesta segunda-feira, dia 23 de fevereiro, poucos dias antes da tragédia completar 30 anos, em 2 de março.
Segundo informações do colunista Ancelmo Gois, do GLOBO, as famílias das vítimas entraram em acordo para cremar os restos mortais e transformá-los em adubo para plantar cinco árvores no BioParque Cemitério de Guarulhos, a cidade onde moravam.
Todos os músicos da banda que divertiu o país com letras debochadas como “Brasília amarela” e “Pelados em Santos” e membros da equipe técnica morreram na tragédia. O acidente ocorreu na noite de 2 de março de 1996, quando o Learjet 25D (prefixo PT-LSD), fretado da empresa Madri Táxi Aéreo, colidiu com a Serra da Cantareira, na zona norte da Grande São Paulo. Não houve sobreviventes.
Relembre a tragédia
A bordo estavam Dinho (Alecsander Alves), Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli, além do piloto Jorge Luiz Germano Martins, do co-piloto Alberto Takeda, do roadie Isaac Souto e do segurança Sérgio Porto.
Naquela noite de sábado, por volta das 23h15, a aeronave iniciava a aproximação para pouso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em Cumbica. Segundo a investigação da Aeronáutica, o avião estava a cerca de 270 km/h — acima da velocidade recomendada de 210 km/h — e ligeiramente deslocado à esquerda da rota ideal.
A 300 metros de altura, o piloto executou uma arremetida, procedimento padrão quando a aproximação não está adequada. Durante a nova tentativa de alinhamento, porém, ocorreu o erro decisivo: o procedimento exigia curva à direita, mas a tripulação realizou curva à esquerda. O jato colidiu contra a montanha na Serra da Cantareira.
Os destroços só foram localizados por volta das 5h da manhã de domingo, devido à escuridão e à neblina intensa.
A investigação concluiu que houve imperícia operacional e fadiga da tripulação após longa jornada, além de falhas de comunicação entre cabine e torre de controle e erro na execução do procedimento IFR (pouso por instrumentos)
Auge interrompido
A tragédia ocorreu no momento mais promissor da carreira do grupo. O álbum lançado em junho de 1995 vendeu 1,8 milhão de cópias em oito meses e atingiu cerca de 3 milhões no total histórico — terceiro maior êxito comercial entre artistas nacionais naquele período.
A agenda estava lotada. Uma viagem para Portugal estava marcada para a semana seguinte. O show realizado em Brasília, no Estádio Mané Garrincha, foi o último da turnê nacional, diante de cerca de 4 mil pessoas, majoritariamente crianças e adolescentes.
Naquela apresentação, Dinho subiu ao palco vestido de coelho de pelúcia. Após o espetáculo, a banda seguiu diretamente para o aeroporto, trocou de roupa no carro e embarcou rumo a São Paulo.
A notícia que parou o Brasil
Em um Brasil ainda sem internet massificada, a maioria da população soube da tragédia ao acordar no domingo. As imagens dos destroços foram exibidas repetidamente nos telejornais.
Programas de grande audiência, como o Domingão do Faustão e atrações comandadas por Silvio Santos, prestaram homenagens.
O velório ocorreu no Ginásio Municipal Paschoal Thomeu, em Guarulhos. Cerca de 30 mil pessoas passaram pelo local.
Os caixões estavam cobertos com a bandeira do Brasil. No de Dinho, havia uma camisa do Corinthians. Fãs cantavam músicas como “Pelados em Santos” e “Sabão Crá-Crá” em meio à comoção.
Mais de 100 mil pessoas acompanharam o cortejo até o Cemitério Parque das Primaveras. A Polícia Militar impediu a entrada da multidão no local, o que gerou tumulto e 31 desmaios. Ambulantes vendiam lembranças improvisadas.
Os cinco integrantes foram enterrados juntos, ao lado de Isaac Souto. O enterro ocorreu em 4 de março de 1996 — data em que Dinho completaria 25 anos. Durante a cerimônia, foi cantado “Parabéns a Você” em sua homenagem.
