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Caso Marta Isabelle, polícia aponta fase final do inquérito e indica indiciamento por feminicídio e tortura
As investigações sobre a morte da adolescente Marta Isabelle, de 16 anos, encontrada sem vida no último dia 24 de fevereiro, em Porto Velho, seguem em fase final. O caso, que repercutiu em todo o Estado, ganhou novos desdobramentos após coletiva de imprensa concedida pela Polícia Civil.
Durante a coletiva, a delegada Leisaloma Carvalho responsável pelo inquérito confirmou que o pai da adolescente será indiciado por feminicídio, tortura com resultado em morte, cárcere privado, maus-tratos e omissão de socorro. A madrasta também deverá responder pelos mesmos crimes.
Além das acusações já apontadas, o inquérito também vai apurar possíveis violências sexuais que teriam sido cometidas pelo pai contra a adolescente. Segundo a Polícia Civil, essa linha de investigação foi incluída com base nos elementos reunidos ao longo da apuração.
De acordo com as investigações, Marta viveu com a mãe até cerca dos 9 ou 10 anos de idade e, depois, mudou-se para Rondônia para morar com o pai. A partir desse período, conforme a polícia, ela passou a sofrer uma série de violências dentro da própria residência.
A delegada revelou ainda que houve denúncias anteriores envolvendo a situação da adolescente. A filha da madrasta teria comunicado os fatos à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente. Esse registro agora integra o inquérito. Instituições como o Conselho Tutelar e a Secretaria de Educação também serão oficialmente notificadas para prestar esclarecimentos sobre eventuais acompanhamentos ou informações relacionadas à jovem.
A mãe da adolescente, que atualmente mora no Rio Grande do Norte, na divisa com a Paraíba estado onde Marta nasceu, também foi ouvida. Segundo a delegada, ela relatou que mantinha contato com a filha por meio de videochamadas realizadas pelo telefone da madrasta, mas afirmou que não tinha conhecimento das agressões. Conforme a investigação, informações falsas eram repassadas à mãe para dificultar o contato direto com a adolescente.
A coletiva também trouxe detalhes sobre os indícios de violência identificados durante a investigação. Segundo a Polícia Civil, foram constatadas diversas lesões, inclusive antigas, o que aponta para um histórico prolongado de agressões e negligência. A apuração indica que a adolescente teria sido submetida a maus-tratos contínuos, privação de cuidados básicos e ausência de atendimento médico, mesmo diante da necessidade.
A delegada informou ainda que há indícios de que outras pessoas poderiam ter conhecimento da situação, mas ressaltou que, neste momento, detalhes não serão divulgados para não comprometer o andamento das investigações.
O inquérito está sendo concluído e deve ser encaminhado ao Ministério Público nos próximos dias.
