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Rondônia, terça, 03 de março de 2026.


Cotidiano

Quem vai ficar com a fortuna de mais de 1 trilhão de Ali Khamenei?

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Enquanto 88 milhões de pessoas viveram (e vivem) à duras penas, durante anos, em consequência das sanções econômicas impostas ao Irã, o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, morto no último final de semana, em Teerã, ergueu um império global de mais de US$ 250 bilhões de dólares devidamente escondidos sob seu turbante. Com a morte de sua mulher e os quatro filhos, ninguém sabe ainda quem vai herdar essa fortuna caso o regime entre em colapso.

Até o início da guerra em curso, o mundo inteiro assistiu às manifestações que, por pouco, não provocaram a queda do regime dos mulás.

Milhões de pessoas foram às ruas por vários motivos, mas o principal era a questão econômica. Há tempos que os iranianos deixaram o planejamento mensal de lado, para tentar viver um dia de cada vez, tamanho o empobrecimento da população. A preocupação geral era o que colocar à mesa ao final de cada dia.

Mas a geladeira vazia era apenas um dos problemas que o país enfrenta há meses. Soma-se a eles, a falta d’água e energia elétrica. Há mais de um ano que o Irã enfrenta a pior estiagem de sua história. Rios, riachos, lagos, tudo secou. Em Teerã, a capital, há semanas que das torneiras não sai uma gota.

Para não morrer de sede, os 8 milhões de habitantes que moram em Teerã furaram poços artesianos, não só em seus quintais, mas até no meio de ruas e avenidas. Resultado, Teerã virou um “queijo suíço”.

Tantos buracos abertos ao mesmo tempo provocaram alterações no solo urbano e, agora, a cidade está literalmente afundando. A situação é tão crítica que, uma semana antes da guerra, o presidente Masoud Pezeshkian sugeriu evacuar a capital e declarar estado de emergência.

Sem comida, água e eletricidade, o povo não teve opção, foi para as ruas protestar, mas acabou massacrado pelo regime dos aiatolás. Mais de 40 mil pessoas foram assassinadas pelas forças do governo sob às ordens de Ali Khamenei, o líder supremo.

A escassez que assola o Irã e seu povo não foi suficiente para impedir que o aiatolá acumulasse uma fortuna que ultrapassa US$ 250 bilhões, o equivalente a mais de R$ 1,4 trilhões.

Ali Khamenei foto Reprodução 45

Ali Khamenei: uma fortuna em dólares, euros, diamantes e ouro | Foto: Reprodução

Nos últimos anos, Khamenei procurou diversificar seus investimentos, através de fundos espalhados por contas bancárias na Venezuela, Emirados Árabes, Síria, França, Reino Unido e países africanos.

O homem que governou, com mão de ferro, o Irã, por 37 anos, acumulou riqueza pessoal através das estatais do país, desvio de verbas a partir de projetos de infraestrutura ligados a empreiteiras e da compra e venda de propriedades de altíssimo luxo que vão desde castelos na Inglaterra a palácios em Mônaco.

Toneladas de ouro e diamantes na Suíça

Para se ter uma ideia do tamanho da fortuna do ex-líder supremo do Irã, os valores representam o dobro de toda exportação de petróleo do país em 2025. E não para por aí. Assim como Nicolás Maduro, da Venezuela, Ali Khamenei também tinha toneladas de ouro e diamantes muito bem guardados em cofres na Suíça e ainda era proprietário de empresas de telecomunicações, companhias de petróleo, investidoras de capital de fundos além de dezenas de instituições de caridade.

Mas, como diz o ditado, “quando a esmola é demais o santo desconfia”. Enquanto o mulá oferecia ajuda humanitária a viúvas, órfãos, feridos de guerra, investindo em infraestrutura, educação e sistemas de saúde, uma rede de apoio ligada a ele de forma indireta administrava seus investimentos “humanitários”, ao mesmo tempo que desviava todas as doações, algumas milionárias, feitas por empresas, cidadãos e até outros países que acreditavam estar ajudando a manter tanta benevolência, mas que na verdade, a cada dólar doado, aumentavam ainda mais sua fortuna.

Parte dos seus bens eram administrados pela Setad (Sede para Executar a Ordem do Imã), um conglomerado econômico, criado pelo seu antecessor, aiatolá Khomeini, operado apenas sob a autoridade do líder supremo ou por ele mesmo.

Originalmente criada para administrar propriedades abandonadas pela elite oposicionista iraniana, exilada junto ao Xá após a Revolução Islâmica, oaSetad acabou se tornando uma grande empresa quando sistematizou o confisco de propriedades que pertenciam a grupos minoritários como a comunidade judaica, zoroastras e cristãos.

Khamenei sempre procurou passar a imagem de um clérigo modesto, mas era ele quem dava a última palavra sobre qualquer assunto de Estado, fosse militar, econômico ou civil.

A autoridade do líder supremo do Irã era baseada na lei islâmica e, portanto, era indiscutível. Afinal, só ele tinha um canal direto e, sempre aberto, com Alá.

Questionar qualquer de suas decisões poderia resultar em pena de morte, por isso, acumular tanta riqueza, até mesmo por métodos escusos, para ele nunca foi empecilho. Com sua morte e de toda a família, ainda é incerto quem vai herdar a fortuna de mãos de um trilhão acumulada pelo aiatolá. Por sinal, o aiatolá tinha como livro de cabeceira, além do Alcorão, “Os Miseráveis”, do escritor francês Victor Hugo.

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