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Rondônia, domingo, 22 de fevereiro de 2026.


Cotidiano

Itália expõe pela primeira vez ao público os restos mortais de São Francisco de Assis

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Milhares de peregrinos começaram, neste domingo, 22, a visitar os restos mortais de São Francisco de Assis, expostos ao público pela primeira vez na Itália em uma mostra que celebra os 800 anos da morte do padroeiro do país. A exibição, que ficará aberta até 22 de março, ocorre na igreja inferior da Basílica de Basílica de São Francisco de Assis, diante do altar, onde uma vitrine de acrílico traz a inscrição em latim “Corpus Sancti Francisci”.

A abertura das portas, às 7h no horário local, formou uma longa fila de visitantes. Segundo os organizadores, cerca de 400 mil pessoas já reservaram lugar para contemplar as relíquias do santo, morto em 1226. Nicoletta Benolli, de 65 anos, que viajou de Verona especialmente para o evento, descreveu a experiência como “única” e profundamente emocionante.

O frei Giulio Cesáreo, diretor de comunicação do convento franciscano, afirmou que a exposição pode tocar tanto crentes quanto não crentes: “Francisco testemunha, com esses ossos tão danificados, que se entregou completamente”. O corpo, trazido para a basílica em 1230, permaneceu oculto até 1818, quando seu túmulo foi descoberto após escavações sigilosas.

Foto: Sala Stampa Sacro Convento Assisi)

Desde 1978, os restos mortais estavam guardados em um relicário transparente dentro de um cofre metálico na cripta da basílica. O esqueleto — pequeno e com o crânio danificado desde o século XIII — repousa sobre um tecido de seda branca. Esta é apenas a segunda vez que as relíquias são expostas publicamente; a primeira ocorreu há quase 50 anos, por apenas um dia e para um grupo restrito.

Para esta ocasião histórica, um segundo relicário, feito de vidro blindado e totalmente transparente, foi instalado sobre a estrutura de acrílico, permitindo que visitantes vejam de perto — e até toquem o vidro — que protege as relíquias. O local contará com vigilância 24 horas, e a expectativa é receber cerca de 15 mil pessoas por dia durante a semana e até 19 mil nos fins de semana.

O frei Cesáreo reforça que a veneração de relíquias acompanha a tradição cristã desde as catacumbas: “Nunca as consideramos algo macabro; para nós, nelas está a presença do Espírito Santo”. Ele também garantiu que o esqueleto não sofrerá danos com a exposição, já que o relicário é selado e mantém as mesmas condições do túmulo original.

Em Assis, no Santuário da Despossessão, também estão as relíquias de Carlo Acutis, adolescente beatificado que morreu em 2006 e foi canonizado pelo papa Leão XIV em setembro de 2025.

A iluminação suave da basílica, segundo o frei, não representa risco para a preservação: “Isto não é um espetáculo, mas um encontro com Francisco”.

O ano de homenagem ao padroeiro culminará em 4 de outubro, quando, pela primeira vez em quase meio século, o Dia de São Francisco de Assis voltará a ser feriado nacional na Itália. O papa Francisco — o primeiro pontífice a adotar o nome do santo e que faleceu em 2025 — será lembrado nessa celebração especial.

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